![]() |
TERROR NOS EUA XIV As marcas deixadas por um festival de horrores por FERNANDO MENEZES Aos poucos o mundo vai tomando conhecimento de todos os aspectos da tragédia que se abateu sobre os Estados Unidos, na terça-feira 11 desse setembro negro. O festival de horror expresso nas imagens dos aviões varando as torres gêmeas do World Trade Center, a espessa nuvem de pó recheada de destroços envolvendo, literalmente, bombeiros e policiais que lutavam para salvar os fugitivos das torres, até agora não havia cedido espaço aos detalhes, às entranhas desse drama de terror delirante. Assim, a história dos passageiros dos aviões seqüestrados só agora se oferece com toda sua carga de emoção, ao homem comum dos Estados Unidos. São os ecos dos telefonemas dramáticos que alguns passageiros trocaram com suas famílias, na circunstância última de suas vidas, quando já não era mais tempo de esperança. Deserdados da esperança, os passageiros do vôo 93 da United Airlines abraçaram com todas as forças a coragem que se fez heroísmo e compromisso com o povo e o país. Esse é o capítulo final das vidas de Thomas Burnett um executivo da Califórnia, 38 anos, que viajava no vôo 93 que deveria fazer o percurso Newark (Nova Jersey)/São Francisco (Califórnia) e que foi desviado bruscamente na altura de Cleveland (Ohio) e Jeremy Glick. Ambos e certamente outros mais entre os 45 passageiros, resolveram reagir. Thomas ligou quatro vezes para sua esposa, narrou o clima no avião, disse da violência dos seqüestradores que esfaquearam um passageiro. Na última chamada ele garantiu a Deena, sua mulher: Nós estamos combinando a reação, não vou me render. Se esse avião está caindo, pois vamos fazer alguma coisa! Jeremy disse a Lyzbeth, em pelo menos duas chamadas, que os homens estavam prontos para reagir aos terroristas: Os caras usam uma faixa vermelha na cabeça, estão armados de facas e dizem ter uma bomba numa caixa. Nós vamos reagir e tratar de recolocar um dos pilotos no comando do avião. Lyzbeth disse que na última chamada Jeremy apenas desejou que ela tivesse uma vida feliz e tomasse conta da filhinha do casal de apenas três meses. Depois, só o silêncio, a ligação sumiu. O avião caiu num bosque próximo a Pittsburg, na Pensilvânia, e muitos, como o deputado John Murta, acreditam que os passageiros lutaram desesperada e heroicamente, não mais para salvar suas vidas, mas para impedir que o avião chegasse a Washington. Provavelmente os terroristas anunciaram suas intenções. O FBI acha que o vôo 93 tinha como alvo a Casa Branca. Não chegaram. Gente como Burnett e Glick não permitiram. O terror não venceu, pelo menos não no vôo 93 da United Airlines. |
|