LG_jc.gif (3670 bytes)

TERROR NOS EUA XV
Brasil apóia EUA integralmente

BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, evocou ontem duas decisões da Organização das Nações Unidas (ONU) para indicar que o Governo brasileiro poderá apoiar os Estados Unidos em ações de retaliação, caso fique comprovado o envolvimento de um ou mais países nos ataques terroristas de terça-feira, em Nova Iorque e Washington. As resoluções recomendam a cooperação internacional em ações para combater o terrorismo e responsabilizar seus patrocinadores.

“Claramente isso significa – eu não direi uma carta branca para se fazer qualquer coisa –, mas indica uma disposição do sistema das Nações Unidas para tomar medidas que naturalmente contemplam o uso da força”, disse Lafer, após reunião do presidente Fernando Henrique Cardoso com lideranças partidárias do Congresso, inclusive as de oposição, no Palácio do Planalto.

Fernando Henrique abriu o encontro enfatizando que o momento requer coesão. Daí o simbolismo importante, segundo ele, de estarem presentes representantes de todo o leque partidário. O presidente criticou o ato de intolerância contra os EUA.

“Levado a um grau extremo, leva a desatinos que, por enquanto, foram praticados por um dos lados. Tomara que o outro não o faça”, disse FHC.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), deixou a reunião convencido de que o Governo só apoiará uma ação retaliatória norte-americana se for detectada a presença de um país, por trás dos atentados. “Este país será considerado inimigo do Brasil”, afirmou Jutahy Júnior.

De acordo com Lafer, qualquer país que tenha participado da onda terrorista nos Estados Unidos está à margem da legalidade internacional. Mas o Governo brasileiro só apoiará eventualmente uma ação militar norte-americana, em resposta aos atentados, caso seja comprovado o envolvimento da nação a ser atacada.

“Qualquer especulação a essa altura é vã e, eu diria mesmo, contraproducente do ponto de vista do Brasil”, disse Fernando Henrique, defendendo uma reconstrução espiritual para fazer frente ao avanço do terrorismo.

O ministro destacou a tradicional postura diplomática brasileira em favor da tolerância e da paz. Ele frisou que qualquer análise sobre a participação de países árabes nos atentados, neste momento, é precipitada e injustificada. Lafer elogiou a postura dos líderes partidários.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira