SÃO PAULO – O atentado ao World Trade Center criou em Nova Iorque um grupo de brasileiros desabrigados. São pessoas que estavam com passagem marcada para o Brasil e que, com a suspensão dos vôos, ficaram sem acomodação. Desde a tragédia, de acordo com o embaixador Flávio Perri, cônsul-geral do Brasil em Nova Iorque, sete pessoas nessa situação procuraram o consulado.
Algumas estão recebendo dinheiro para a alimentação – não mais do que US$ 35 por dia, de acordo com o cônsul-geral. Dessas, pelo menos quatro representam famílias inteiras que estavam de férias na cidade e tinham dólares só para chegar ao aeroporto.
Essas famílias já haviam saído de seus hotéis, mas não tinham conseguido pegar o avião. Elas foram encaminhadas para casas de conhecidos dos funcionários do consulado. O contato, de acordo com o cônsul, teve de ser feito por intermédio dos funcionários, pois os brasileiros alegavam ter vergonha de pedir abrigo a conhecidos.
Um dos sete brasileiros era um funcionário do Citibank que estava hospedado no Hotel Marriott, no térreo do World Trade Center, que foi destruído. Ele queria um visto para voltar ao Brasil assim que os vôos forem normalizados.
Dos funcionários do consulado, pelo menos dois ainda estão percorrendo a cidade em busca de outros brasileiros que possam estar em dificuldades. Um anúncio no periódico The New York Times, publicado hoje, também tem como objetivo identificar essas pessoas.
O drama desses brasileiros ainda não tem data certa para terminar, pois mesmo quando os vôos estiverem decolando normalmente dos EUA, o embarque poderá ser demorado, já que há inúmeros vôos cancelados a serem remarcados.