SÃO PAULO – Sem a referência das bolsas dos Estados Unidos, que só voltam a abrir na próxima segunda-feira, a Bovespa amargou mais um pregão com perdas recordes. O fechamento da Nyse (Bolsa de Nova Iorque ) e da Nasdaq provocou fortes oscilações na bolsa brasileira. Ontem, foram mais 7,26% de desvalorização. A segunda maior baixa do ano levou a bolsa para o pior nível desde agosto de 1999. Com a queda, o principal índice recuou para 10.306 pontos. O dólar comercial fechou em baixa de 0,82%, cotado a R$ 2,655 na compra e R$ 2,665 na venda. Graças à ação do Banco Central, a moeda norte-americana interrompeu uma seqüência de cinco altas consecutivas, três delas com recordes de cotação.
Em um dia marcado por intenso nervosismo e volatilidade, a moeda norte-americana chegou à cotação inédita de R$ 2,744 (+2,31%). A queda verificada à tarde só foi possível com a oferta de R$ 5 bilhões em títulos cambiais do Banco Central (as NBC-Es) com vencimento em fevereiro de 2002. Há também informações de que o BC vendeu dólares no mercado à vista em volume superior aos US$ 50 milhões habituais. O BC informou que as quantias vendidas ontem e na quarta-feira superaram esse valor, mas o volume das intervenções só será conhecido a partir de hoje.
MERCADO ACIONÁRIO – A liquidação de ações na Bovespa, que começou na manhã de terça, voltou com força ontem. Investidores, que haviam dado uma trégua na quarta, quando a Bolsa subiu 2,6%, voltaram a se desfazer de todos os papéis que encontravam compradores. Quem mais apanhou foram as ações da Embraer. Os papéis preferenciais e ordinários (com direito a voto) da companhia despencaram mais de 16% cada. Logo após a abertura do pregão, investidores começaram a vender as ações da empresa. Com os investidores apostando em uma provável queda no número de negócios de venda de aviões a serem fechados nos próximos meses, os papéis rapidamente ultrapassaram os 10% de baixa. O cancelamento da cerimônia de entrega de uma aeronave, marcada para ontem, assustou os investidores.
“A expectativa de corte de pedidos da Embraer, com a piora das perspectivas para a economia mundial depois do ataque aos EUA, motivou a reação do mercado”, afirma o diretor de renda variável do BNP Paribas Asset Management, Jacopo Valentino. A maciça venda de ações melhorou um pouco o volume financeiro da Bolsa paulista, que vem minguando há semanas. Ontem foram movimentados no pregão R$ 412 milhões. Com a queda de ontem, a desvalorização acumulada da Bovespa neste ano saltou para 32%.
Sem o funcionamento das principais bolsas do mundo, investidores deixaram de poder realizar operações, como as de arbitragem. Nesse tipo de operação, os investidores compram e vendem um mesmo ativo em mercados diferentes, ganhando com a diferença de preços entre eles.
PARÂMETROS – “Sem a referência das Bolsas norte-americanas, o mercado fica sem parâmetros para formar os preços e acaba mais volátil”, diz Valentino. Na opinião do diretor da corretora Planner, Luiz Antônio Vaz das Neves, a Bolsa vai oscilar ainda mais com a volta dos negócios no mercado acionário dos EUA. A Bovespa ainda vai ter muitos dias de fortes oscilações. A Bovespa divulgou o resultado dos investimentos estrangeiros. E o dinheiro continua saindo. Apenas nos dez primeiros dias deste mês, foram mais R$ 56 milhões que deixaram a Bolsa.
O dia negativo também foi sentido na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Nos contratos DI (juro interbancário) mais negociados, as taxas subiram. No DI com prazo em janeiro do próximo, que concentra a liquidez dos negócios, a taxa saltou de 21,96% para 22,88% ao ano.No contrato de prazo mais curto, a taxa ficou em 19,89%, quase um ponto percentual acima da atual Selic (taxa básica da economia).