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TERROR NOS EUA XX
Bancos centrais se mobilizam para estabilizar os mercados

LONDRES – Os guardiões da economia global estabilizaram os agitados mercados financeiros e reavivaram a confiança de investidores e consumidores ontem a fim de impedir que as previsões de uma recessão mundial se torne realidade. Apesar de o Banco Central Europeu (BCE) ter mantido inalteradas suas taxas de juros, a entidade injetou dinheiro no mercado para evitar uma carência de créditos nos sistemas bancários assustados com os ataques de terça-feira nos EUA.

Em um comunicado, o BCE deu sinais de estar pronto para atuar em conjunto com outros bancos centrais para impedir que os ataques em Nova Iorque e Washington tenham um impacto significativo na economia.

Dando mostras de sua preocupação com a possibilidade de bancos europeus enfrentarem dificuldades, o BCE e o Federal Reserve (banco central dos EUA) celebraram um acordo de swap (troca), pelo qual o BCE fica autorizado a sacar até US$ 50 bilhões, enquanto o Fed de Nova Iorque receberá um montante equivalente de depósitos em euros.

Ontem, os mercados continuavam estáveis, operando com um pequeno volume de negócios, mas acalmados pela injeção de mais de US$ 120 bilhões realizada por bancos centrais para garantir o funcionamento deles.

O valor das ações nas bolsas européias subiu um pouco em meio a um clima de incertezas devido à ausência de Wall Street. O Tesouro norte-americano, negociando pela primeira vez desde terça-feira, mostrou-se agitado diante da previsão de uma nova queda de juros a ser imposta pelo Fed.

Enquanto a fumaça começava a sumir dos destroços do World Trade Center, tornava-se mais claro que o crescimento da economia será afetado pela interrupção das atividades dos mercados financeiros e pelo duro golpe contra a confiança dos consumidores norte-americanos.

O que falta descobrir é o tamanho do estrago. Até agora o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um impacto pequeno, mas, a longo prazo, tudo depende de como será a resposta política e militar dos EUA aos ataques.

“No momento, achamos que, apesar da escala da tragédia humana, esses acontecimentos terríveis terão um impacto apenas limitado sobre a economia internacional e o sistema financeiro global”, disse Horst Koehler, diretor-executivo do FMI. “Os ataques foram realizados em um momento em que as previsões para a economia norte-americana e mundial equilibravam-se entre um cenário de recuperação lenta, profundo desaquecimento, ou recessão”, afirmou o banco de investimentos Credit Suisse First Boston (CSFB).

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Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira