NOVA IORQUE – Capacete em mãos e uma feroz determinação, milhares de nova-iorquinos se alistam como voluntários para ajudar às equipes de resgate, num impulso massivo de solidariedade. Na tarde de ontem, o Javits Center, que normalmente abriga as feiras e exposições de Nova Iorque, às margens do rio Hudson, estava literalmente tomado pelos voluntários.
As funções mais requisitadas – motoristas em obras de construção, carpinteiros e pedreiros – são separados dos outros. Os demais, secretários, advogados ou homens de negócios, que saíram dos escritórios durante a emergência no World Trade Center, e, em seguida, todo o bairro de Wall Street, foram reunidos do outro lado do Javits Center.
Todos esperaram, sob um calor de pelo menos 30 graus, serem escalados para ajudar. “Inscreva-se. Indique sua profissão, para que todos sejam escalados em função das necessidades”, explica uma jovem tentando manter a calma. Mas todas necessidades estão amplamente cobertas. “No momento, estamos mais que completos. Mas não se preocupem, vamos precisar de todos nas próximas semanas, nossa missão ainda não acabou”, explica, mais diretamente, um policial.
A predominância dos soldados entre os sobreviventes deve-se à sua localização na hora da queda da segunda torre. Estima-se que bombeiros, policiais e médicos que fizeram parte da primeira equipe de resgate estejam todos mortos. Tanto os corpos quanto os sobreviventes que estão sendo encontrados fazem parte da segunda e, principalmente, da terceira leva de homens, que ainda não tinha entrado na segunda torre, mas não conseguiu fugir a tempo da segunda queda. Uma mulher também teria sido resgatada com vida ontem, porém, a informação não foi confirmada pelo chefe dos bombeiros.
O presidente George W. Bush telefonou para o governador do Estado, George Pataki, e o prefeito Giuliani e disse que visitaria Nova Iorque hoje. “Você me fez um convite gentil para ir a Nova Iorque”, disse Bush a Giuliani numa teleconferência. Eu aceito. “Estarei aí logo após o serviço religioso na Catedral Nacional”, em Washington. O presidente havia sido criticado por atrasar seu retorno à Casa Branca, na terça-feira, e agora sofre o mesmo tipo de crítica por visitar apenas no quarto dia o local em que possivelmente milhares de pessoas morreram.