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CONGRESSO
De volta à presidência, Jáder anuncia renúncia

Licenciado desde 20 de julho, peemedebista reassume o comando do Senado, anuncia que renunciará ao cargo na próxima semana e levanta suspeitas sobre o fechamento de um acordo para salvar seu mandato

BRASÍLIA - O presidente licenciado do Senado, Jáder Barbalho (PMDB-PA), sucumbiu às pressões para renunciar ao cargo. Cinco dias antes do final de sua licença, Jáder reassumiu ontem a presidência e anunciou que renunciará na semana que vem, quando fará um pronunciamento para justificar sua decisão e confrontar as denúncias que colocam o seu mandato em risco no Conselho de Ética.

Foram sete meses de presidência sob intenso ataque do Ministério Público e das oposições, que resultaram num pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. Tudo começou com a troca de denúncias entre Jáder e o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Acusado de quebra do decoro, ACM renunciou, e Jáder passou a ser a bola da vez.

Ontem, Jáder afirmou que sua iniciativa é de caráter pessoal, no intuito de preservar os interesses do Senado e de assegurar o direito do PMDB de indicar o seu sucessor. Mas levantou suspeitas de que teria sido fechado um acordo para que ele renunciasse à presidência e, em troca, tivesse seu mandato poupado, evitando a cassação. Coincidentemente, a decisão de Jáder foi anunciada no mesmo dia em que o PFL decidiu obstruir sua volta à presidência e 24 horas depois de aprovada uma indicação no Conselho de Ética para impedi-lo de retornar ao cargo.

O senador mobilizou até mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso. A seu pedido, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), comunicou a decisão a FHC e aos presidentes do PFL, PSDB e PPB. O senador Édison Lobão (PFL-MA), vice-presidente que substitui Jáder nos últimos 55 dias, foi surpreendido pela decisão do peemedebista anunciada em um ofício de apenas quatro linhas. Jáder comunicou que estava interrompendo a licença iniciada dia 20 de julho. Lobão e o senador Geraldo Althoff (PFL-SC) negam a existência de um acordo entre para poupá-lo da cassação.

Aparentemente calmo, Jáder reiterou que as denúncias de corrupção feitas contra ele são de natureza política, agravadas pelo episódio de violação do painel que levou à renúncia de ACM e José Roberto Arruda. Ele negou ter sofrido pressão para renunciar, mas não soube explicar porque tomou a decisão após insistir nas declarações que estaria de volta na terça-feira que vem. O senador não quis comentar a possibilidade de perder o mandato, alegando que sua preocupação é com o espaço do PMDB.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira