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FERNANDO DE NORONHA
O arquipélago mais badalado do Brasil

por BRUNO ALBERTIM

Quem não mergulhou nas águas de Fernando de Noronha pode voltar de lá dizendo que não conhece o arquipélago. Não a maior, menos evidente e - o que parece impossível - a mais bela parte das ilhas. Com apenas 26 quilômetros quadrados em terra, Noronha possui mais de 100 quilômetros embaixo de suas águas. Não por acaso, virou um dos maiores centros de mergulho submarino no Brasil. Uma das várias razões: até os 90 metros de profundidade, a temperatura da água costuma apresentar a mesma média da superfície, 27 graus Celsius, e a visibilidade se estende por metros a fio. No fundo das águas de Noronha, quando, observado, o mundo exterior não passa de um pequeno feixe de luz que atravessa uma superfície distante, arraias, tartarugas, tubarões - tranqüilos, diga-se de passagem -, e centenas de peixes vão estar envolvendo o mergulhador como nuvens. Apesar de o mergulho com golfinhos ser proibido por lei, eles também podem se deslocar de suas áreas para uma ‘visita’.

O fundo desse mar já foi mapeado pelos pioneiros no mergulho do arquipélago. Além dos pontos de apnéia (mergulho livre), que se espalham por toda a ilha principal, Noronha conta com 17 locais identificados para o mergulho técnico, assim chamado, porque, além de requerer equipamento adequado e cilindros de ar, necessita de alguma experiência do mergulhador.

São paredões de corais, lajes, túneis, cavernas e naufrágios, nos quais vários peixes se alojam, atraindo, por exemplo, tartarugas em busca de alimento. Cada ponto possui uma característica e a maioria só pode ser explorada por quem sabe mergulhar. Mas, além da própria ilha oferecer cursos, os não-iniciados não precisam limitar a estada em Noronha à terra firme. Até quem não sabe nadar pode descer a 15 metros de profundidade, realizando o ‘batismo de mergulho’.

Por ser uma ilha, Noronha possui ‘dois mares’: o de dentro, voltado para o continente sul-americano, e o de fora, voltado para a África. Durante a maior parte do ano, de abril a novembro, o mar de dentro está tranqüilo, protegido dos ventos. Suas águas estão perfeitas para imersões. Mas há quem aguarde a virada das correntes, quando o mar de dentro chega a receber dezenas de surfistas atrás de ondas gigantescas, para desfrutar o que considera ser a beleza incomparável do mergulho no mar de fora, que tem sua temporada tranqüila de novembro a julho. Um desses locais disputados é o ponto conhecido como Pedras Rasas, na altura do porto. “Tem muitas cavernas e entradas, com formações rochosas belíssimas. São barracudas, tartarugas e tubarões. Eles olham para você, dão as costas e vão embora”, diz a carioca Soraia D`Ávilla, que já realizou mais de 50 mergulhos. Outro ponto ‘top’ é a cobiçada Corveta Ipiranga, no mar de dentro: um mergulho de 63 metros de profundidade. Outro, menos radical, é o mergulho na laje de corais próxima ao famoso morro Dois Irmãos. São 24 metros e o lugar é bastante visitado por tubarões de bico fino. Na Baía do Sueste, o mergulho tem 24 metros. É um belíssimo abrigo de tartarugas. Ao voltar das águas de Noronha, não há outra pergunta possível: “Como pude passar tanto tempo aqui em cima?”.

O repórter viajou a convite da Administração de Fernando de Noronha e mergulhou com a equipe da Águas Claras

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Jornal do Commercio
Recife - 13.09.2001
Quinta-feira