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VIOLÊNCIA
Helinho, o justiceiro, é morto a facadas no Aníbal Bruno

Acusado de assassinar 65 pessoas, Hélio José Muniz Filho estava preso há três anos. Ele foi personagem do documentário ‘Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas’

O preso Hélio José Muniz Filho, o Helinho, 24 anos, foi assassinado ontem à tarde por três detentos do Presídio Aníbal Bruno, no Totó, Recife. Esfaqueado no pescoço e no braço, foi levado ao Hospital Otávio de Freitas, onde morreu. Helinho, conhecido como justiceiro por ter matado 65 bandidos, estava preso há três anos e cumpria pena de mais de 100. Recentemente, ele foi personagem do documentário pernambucano O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, que fala de sua vida no crime.

São acusados do assassinato Augusto Marques de Oliveira, 23, Cláudio da Silva, 18, e Marcelo Carlos de Lima, 22. Os três foram autuados em flagrante na Delegacia do Cordeiro e depois retornaram ao Aníbal Bruno, onde ficarão isolados, sem receber visitas. A direção do presídio não soube informar os crimes cometidos por eles e nem as penas que estão cumprindo.

Helinho foi ferido com duas facas artesanais e um chuço (instrumento pontiagudo confeccionado pelos presos). Ele foi atacado por volta das 16h, no final da visita dos familiares, realizada nos domingos. Os detentos começavam a retornar às celas.

“Helinho, que era chaveiro do pavilhão J, de segurança por abrigar 63 detentos perigosos, ia fechar a cela 7 quando os três partiram pra cima dele”, contou o diretor-adjunto do presídio, tenente Antônio Soares. A retirada do ferido provocou tumulto entre os visitantes, que saíram em correria. Funcionários da Secretaria da Justiça, que realizavam o cadastramento de familiares de presos, tiveram que encerrar o trabalho.

Policiais militares atiraram para cima, para conter os presos, e assustaram ainda mais as pessoas. Em seguida, o Aníbal Bruno foi cercado por PMs, para evitar uma fuga de presos. Enquanto aguardava transporte para levá-lo ao hospital, Helinho ficou no chão da entrada do presídio. No local ficou uma poça de sangue.

Segundo o tenente Antônio Soares, Helinho tinha bom comportamento, por isso, há três meses, havia se transformado em chaveiro. Ele ocupava sozinho uma cela no pavilhão de segurança, que é vigiado 24 horas. “Era muito visado, tinha muitos inimigos, principalmente depois que fez o filme”, disse o tenente. Hélio Filho era de Camaragibe, tinha dois filhos e, antes de ser preso, trabalhava como lanterneiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2001
Segunda-feira