Grevistas aceitaram colocar 30% do efetivo de 28 mil homens no patrulhamento do Estado depois que o Governo concordou em soltar líderes
SALVADOR – Os policiais militares baianos começaram a voltar ontem às ruas da capital e do interior. A decisão foi tomada depois de uma reunião entre o Governo e representantes da PM, que terminou por volta das 5h. O Estado concordou em soltar o tenente Everton Uzeda e o sargento Manoel Isidório de Santana, líderes do movimento, em fazer a revisão das 68 exonerações e com um aumento salarial imediato de 10%. Em contrapartida, os grevistas aceitaram colocar 30% do efetivo de 28 mil homens no patrulhamento das cidades baianas.
Nos últimos dez dias, tempo que já dura a paralisação, a população da capital e de algumas outras cidades viveu momentos de pânico, com uma onda de assaltos, arrastões e depredações.
Lojas foram saqueadas e muitas não abriram as portas nos últimos dois dias. Os bancos e escolas ficaram fechados e os ônibus não circularam depois das 18h. Salvador ficou praticamente deserta à noite.
Pelo acordo com o Governo, ficou acertada a reintegração dos 68 policiais exonerados. Presos havia 13 dias, o sargento Manoel Isidoro de Santana e o tenente Everton Uzeda Lima foram soltos por volta das 5h de ontem e recebidos com festa pelos policiais aquartelados no 8º Batalhão da Polícia Militar. “Fui torturado, humilhado e tratado como marginal”, criticou o tenente Lima.
Os dois policiais teriam sido presos por liderar o movimento. Soltos, eles passaram a manhã circulando pelos batalhões para comunicar o acerto com o Governo. Eles disseram que além da reivindicação salarial querem agora um tratamento mais justo com a categoria. “Estamos criando a Fundação pela Defesa dos Direitos Humanos dos Policiais e Bombeiros da Bahia”, afirmou o sargento Manoel Isidoro de Santana, que também reclamou do tratamento recebido nos dias de prisão.
SALÁRIO DOBRADO – Um policial baiano ganha menos de R$ 600 de salário, incluindo as gratificações. Eles reivindicam um contracheque de R$ 1.200. Na reunião, o Governo garantiu um aumento de pelo menos 10%. Segundo os líderes dos policiais, o movimento de paralisação continua enquanto não houver acordo sobre salários. Além dos policiais militares, outras sete categorias paralisaram suas atividades na Bahia: policiais civis, agentes penitenciários, servidores da saúde e do judiciário, professores das redes estadual e municipal e vigilantes.
Durante a madrugada, não havia soldados do Exército nas ruas de Salvador. O efetivo de 30% de PMs que iria começar a policiar as ruas junto com o Exército só acertou sair dos quartéis no início da tarde.