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MODA II
A moda dos anos 80 pode ser legal

Apesar da cafonice que reinou na década, é possível usar roupas inspiradas na época sem parecer uma capa de liqüidificador. Dica número um: “menos é mais”

Mais que o frisson das passarelas, o melhor do São Paulo Fashion Week (semana de moda) é o guia de tendências que o evento apresenta. Peneirando os frufrus da passarela, é possível perceber tudo o que estará nos guarda-roupas na próxima temporada. A bem da verdade, os anos 80 continuam seu reinado pelo terreno do mau gosto (ops), quer dizer, da moda. Tudo bem, tudo bem, é possível filtrar os excessos e usar as peças das novas coleções sem sair por aí fantasiada de capa do liqüidificador da sua avó – ou qualquer outra coisa do vestuário de 20 anos atrás. Para isso, uma receita básica é não misturar elementos demais no mesmo look. Blusa de babado com nervuras e saia balonê duplo, numa só composição, vão deixar qualquer mulher com jeito de glacê derretido. Por isso, embora a máxima esteja meio esquecida pelos estilistas, lembre-se que “menos é mais” e nunca invista em mais de um elemento de uma vez. Vamos às regras do jogo:

PANO SOLTO – Godês e balonês, pences e plissados, debruns e nervuras: haja tecido para franzir tanta roupa. Adquira algumas (poucas) peças com estes elementos, para não perder o guarda-roupa inteiro daqui a um tempo. Se você está acima do peso, experimente os detalhes aplicados em sentido vertical. Também são bárbaras as regatas lisas com babados ou nervuras aplicadas com moderação. Elas aparecem em quase todas as coleções mais comerciais – Forum, Zoomp, Iódice e Ellus, por exemplo – e são um achado para quem quer estar na moda sem perder um (leve) toque do minimalismo dos anos 90.

MODELAGEM – Com tantos badulaques, é natural que as roupas estejam mais volumosas e fofinhas. Para as adolescentes, saias curtíssimas com um faixa justa no quadril e duas ou três camadas de babados sequinhos devem se tornar um hit absoluto. São uma graça, mesmo, e podem vir com meias finas coloridas e sapatilhas ou sapatos tipo boneca. Os fãs das teens vão babar! Aliás, não só as saias estão miúdas. Os estilistas elegeram as penas como ponto de atração da próxima temporada. Por isso, corra já para academia porque o tempo está para micro-shorts.

Quem não é mais tão lolita, que aposte nas saias evasês para fazer bonito. Repare também nos não-balonês. Estão em saias de camadas duplas, mas sem o volume frocado obrigatório dos balonês. Dá para disfarçar bem. Nesse cenário, também existe espaço para longas saias godês: é a moda cigana que chega com força total no inverno, mas já envia os primeiros sinais no Verão.

Em relação às calças, as coleções estão mais democráticas. Justas (tipo legging), sequinhas, soltas, oversize ou pantalonas, elas vêm compridas, pouco acima do tornozelo ou capri. Procure a sua e não reclame. Detalhe: as cinturas, que desapareceram nos vestidos, sobem nas calças, chegando ao ápice na reedição das calças clochard – pode acreditar, é verdade!

ESTAMPAS E CORES – O Havaí é aqui. A moda surfe invadiu a praia das padronagens de tecidos. Papoulas enormes, florais de todas as primaveras, coqueirais, praias ao pôr-do-sol e tudo o mais que lembre a estética sarada dos surfistas está em alta. Também anda na crista da onda uma enorme variedade de listras. Duas cores, três cores, dez cores, as listras substituem com sucesso as estampas esfuziantes, para quem não gostar delas. Mas, se as listras fazem uma linha menos espalhafatosa, é bom dizer que elas não estão, necessariamente, discretas. As cartela de cores abriga tons pastéis, neutros e muitas tonalidades berrantes também: vermelho-sangue, vermelho-cereja, azul-estridente, laranja, amarelo-gema. Garotas e guapos que não curtem uma vida acesa, podem recorrer ao preto e branco. Mas, como o preto “é a arma dos covardes”, esta é a vez do branco. Ele dá as cartas do Verão. Nove entre dez estilistas ‘criaram’ terninhos em todas as nuances da cor: puríssimo, gelo, creme, bege, areia e por aí vai. Quanto ao preto... bem, tudo já foi dito sobre o assunto.

JACQUARD – Entre as técnicas de estamparia, uma que merece destaque especial é o jacquard – desenhos formados pela trama do tecido durante a fabricação (sua avó, certamente sabe o que é). Seu uso já foi considerado um luxo pelas finas e fofas. Depois, ele ficou relegado a panos de sofá. Eis que (re)surge triunfal. Está em quase todas as coleções: na seda sofisticada de Walter Rodrigues, no jeans luminoso de Marcelo Sommer, no jersey sensual da Forum e no crepe divertido de Ronaldo Fraga. Os que misturam fios foscos e brilhantes vão ferver nas noites paulistanas. Clubbers pernambucanos também podem aderir.

TECIDOS – A estrela do próximo Verão não são os tecidos tecnológicos. De uma maneira geral, eles já foram incorporados ao repertório dos estilistas, são usados com ‘naturalidade’ e fazem bonito sem estar no centro da festa. Tecelagens e indústrias de fios investem pesado para que as roupas estejam cada vez mais confortáveis, com caimento perfeito e sem amassar muito. O melhor é que os tecidos podem parecer totalmente sintéticos ou feitos com fibra 100% natural. tudo vai depender das vontades dos estilistas.

Uma das surpresas das coleções foi a renda de bilro com Lycra, que apareceu com glamour na coleção de Walter Rodrigues. Tramadas com fios elásticos, as peças de renda idealizadas por Rodrigues aderem totalmente ao corpo, provocando um efeito sedutor. O estilista e a Amni também desenvolveram um tecido levemente nervurado que substitui com delicadeza as nervuras feitas na costura. Ultrachique.

Roupas mais finas, leves e fresquinhas estão na pauta dos dias de calor. A G lança um chifon levíssimo e a Iódice trabalha a tentazioni, uma malha de poliamida e elastano, versátil, que proporciona um toque delicioso. Pena que a estampa da grife deixe a desejar.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo