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EXPANSÃO DE FACULDADES O que vale é o diploma
Foi-se o tempo em que entrar na faculdade era uma prova de fogo. Pelo menos, para quem tem, em média, R$ 300 para pagar a mensalidade de uma das dezenas de novas instituições privadas criadas em Pernambuco nos últimos anos. Com a explosão das faculdades, a concorrência acirrada deixou de ser uma preocupação para os feras. O importante é ter o diploma. E dinheiro para bancar quatro ou cinco anos de curso. Justamente por isso, a expansão de pouco adianta para os alunos de escolas públicas, que não podem arcar com esses custos, nem são tão qualificados para disputar as vagas das universidades gratuitas. A nova safra de faculdades, no entanto, não agrada a todos. Estudantes como Isabela da Motta (foto), 18 anos, não abrem mão da tradição de instituições reconhecidas. Ela cursou três períodos de Comunicação Social na Universo e desistiu para tentar uma vaga na UFPE e Unicap. O MEC também está de olho na qualidade e baixou regras mais rigorosas para os cursos de ensino superior. A reportagem é de Margarida Azevedo e Ciara Carvalho. Nunca foi tão fácil percorrer o caminho que leva ao sonhado diploma universitário. Com a recente abertura de dezenas de faculdades particulares em Pernambuco, a oferta de vagas aumentou e a concorrência foi lá para baixo. Os estudantes, que antes precisavam derrubar vários candidatos, hoje entram na disputa praticamente sozinhos. Ou seja: ao se inscreverem no vestibular, muitos feras já garantem, de cara, uma cadeira na faculdade, independentemente do seu resultado no teste de seleção. Os números divulgados pelas próprias instituições mostram a diferença. A graduação em Administração, por exemplo, oferecida pela recém-criada Faculdade Pernambucana (Fape), teve 1,6 candidato por vaga no vestibular realizado este mês. O mesmo curso, no ano passado, foi disputado por 12,6 estudantes na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e 18,2 na Universidade de Pernambuco (UPE). Determinado a iniciar, de qualquer maneira, um curso superior no próximo ano, o estudante Sérgio Allisson Veloso (foto), 20 anos, vai se inscrever em sete vestibulares. Além das três instituições tradicionais (UFPE, UPE e Unicap), Sérgio tentará os concursos da Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e das Faculdades de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (Faupe), Boa Viagem (FBV) e Ciências Humanas (Esuda). Como a inscrição em cada uma delas custará, em média, R$ 70, o estudante vai gastar pelo menos R$ 490. Não agüento mais fazer cursinho. Será o meu terceiro vestibular e não quero mais esperar. Entro em uma faculdade de todo jeito este ano, garante o rapaz. Arquitetura, Administração e Direito são os cursos escolhidos por ele. Para o professor do Centro de Educação da UFPE Alfredo Macedo Gomes, a explosão de faculdades nos últimos anos é reflexo da política adotada pelo Ministério da Educação (MEC), que defende a expansão do ensino superior no País. Segundo ele, o percentual de jovens entre 18 e 24 anos que estava na universidade, no início do Governo Fernando Henrique Cardoso, era 12%, o menor índice da América Latina. O Plano Nacional de Educação prevê um aumento para 30%, ressalta Alfredo. Para controlar tantas instituições, foram criados mecanismos de avaliação, como o Exame Nacional de Cursos (Provão) e a Avaliação das Condições de Oferta. O objetivo do MEC não é agir no momento da criação, mas fiscalizar a qualidade do curso e da faculdade. O Ministério precisa, no entanto, observar que tem havido uma busca muito grande pelo lucro, quando essa não deveria ser a preocupação central. As instituições de educação não podem se pautar pelo aspecto econômico, considera o professor. Ele avalia que muitas faculdades fazem o vestibular sem o caráter seletivo. Os candidatos se inscrevem, cumprem os requisitos mínimos e passam, mas nem sempre são capacitados. Sou favorável à expansão, mas com qualidade, defende Alfredo Gomes. Por não exigirem grandes investimentos em laboratórios e equipamentos sofisticados, sai mais barato para as faculdades particulares montarem cursos nas áreas de Humanas, Ciências Sociais e Ciências Sociais Aplicadas daí a maior proliferação dessas graduações. Administração, Turismo, Pedagogia e Ciências Contábeis lideram a lista. Essas instituições só se dedicam à formação dos alunos na graduação. Não comportam nenhum tipo de pesquisa, quando esse é o caráter propriamente de uma universidade, afirma Alfredo. Mas será que há professores suficientemente capacitados, com títulos de mestres e doutores, para atender à demanda? O diretor-geral das Faculdades Integradas do Recife (FIR), José Ricardo Diniz, acredita que sim. Há no mercado muitos docentes, jovens e competentes. A abertura das faculdades possibilitou a absorção dessa mão-de-obra que estava dissipada, afirma José Ricardo. PRECAUÇÃO - Nem todos concordam com a expansão dos cursos de graduação no Estado. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Pernambuco, é uma das entidades que condenam a abertura dos cursos de Direito. O mercado não absorve mais tantos advogados. A categoria está cada vez mais empobrecida. E o reflexo disso tem sido o aumento do atendimento assistencialista prestado pela OAB, observa o presidente da entidade, Ademar Rigueira. Somente este mês, foram abertas 360 vagas para Direito, na Fape e na FIR. Por isso decidimos que, a cada nova faculdade aberta em Pernambuco, o exame da Ordem ficará mais rígido. É a única maneira que temos para denunciar as faculdades ruins, já que o parecer da OAB não tem servido quando as instituições solicitam a abertura do curso no MEC, diz Rigueira. Diante de uma oferta tão variada, vale observar algumas dicas na hora de se inscrever no vestibular. Comparar uma instituição com outra é fundamental. Exigir informações como credenciamento no MEC, autorização para funcionamento, titulação dos docentes e infra-estrutura são itens também indispensáveis. E, como a maioria das instituições é particular, é bom ficar atento aos valores das mensalidades, que, em média, custam R$ 300. |
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