Avanços tecnológicos permitiram uma maior versatilidade na utilização da fotogrametria no levantamento e na restauração do patrimônio histórico
O uso da fotogrametria na restauração do patrimônio histórico, há 20 anos, era praticamente inviabilizado pelo custo e pela demora na execução dos projetos. “Hoje, o avanço tecnológico permite uma maior versatilidade”, diz o engenheiro mecânico da Universidade Federal de Pernambuco Davi Ferraz. Antigamente, só era possível fazer o trabalho a partir de fotografias feitas com câmeras fotogramétricas. Atualmente, qualquer tipo de foto pode ser utilizado.
“As novas tecnologias garantem a mesma resposta geométrica com materiais mais simples”, declara o engenheiro cartógrafo da Universidade Federal Jaime Mendonça. Segundo ele, o patrimônio cultural brasileiro nunca pensou em usar a técnica para fazer o levantamento do seu acervo. No entanto, o Comitê Internacional de Fotogrametria Arquitetural (a sigla em inglês é Cipa), trabalha com essa tecnologia há mais de 40 anos, compara o professor.
Esse trabalho, diz Jaime Mendonça, seria essencial para cidades antigas como Recife e Olinda. “Não existe um levantamento geométrico preciso das casas antigas dessas cidades”, observa. Pesquisa recente feita pela Diretoria de Controle Urbano e Ambiental da Prefeitura do Recife em sete bairros antigos da cidade revela a existência de 179 imóveis em precário estado de conservação.
“Se acontecer um acidente com um imóvel desse, não será possível restaurá-lo por falta de informações precisas”, diz Jaime Mendonça. “Esse tipo de levantamento deveria ser feito de forma sistemática pelas prefeituras.” Ele e Davi Ferraz pretendem procurar a 5ª Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e as prefeituras para discutir o assunto.
Os professores já apresentaram ao secretário de Patrimônio Cultural de Olinda, Sergio Rezende, projeto para levantamento em terceira dimensão das ruas e do casario da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. “Temos interesse na utilização dessa metodologia em Olinda”, afirma Sergio Rezende.