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IMPRUDÊNCIA
Médico é acusado de provocar morte de um adolescente

Jefferson Lira, 15 anos, quebrou o braço esquerdo e foi atendido num hospital em Vitória de Santo Antão. Quatro dias após, ele morreu com infecção generalizada

Um médico do Hospital João Murilo Oliveira, em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul, está sendo acusado de agir com imprudência e provocar a morte do estudante Jefferson Francisco de Lira, 15 anos. Segundo a família do menor, ele quebrou o braço esquerdo e, embora tivesse fratura exposta, o médico mandou apenas engessar. Depois de quatro dias sentindo fortes dores, o garoto foi encaminhado, na última sexta-feira, ao Hospital da Restauração, onde teve que amputar o braço. Ele faleceu horas após, vítima de infecção generalizada.

A família de Jefferson, que residia em Vitória de Santo Antão, responsabiliza diretamente o médico pela morte do garoto. Ainda esta semana, pretende ingressar com uma ação indenizatória na Justiça. Segundo Aldênio Lira da Silva, primo do adolescente, o médico tirou um raio X do braço de Jefferson, na segunda-feira passada. Em seguida, fez um procedimento chamado redução (colocou o braço no lugar) e determinou o engessamento. “Jefferson foi para casa e o médico mandou tomar um antibiótico. Depois, ele voltou outras vezes ao João Murilo porque sentia muitas dores. Na quarta-feira, quando esteve novamente no hospital, reclamando da dor, o mesmo médico o encaminhou para o HR”, contou.

Ao ser atendido pela equipe médica do Restauração, Jefferson recebeu a notícia de que seu braço estava gravemente infeccionado e teria que ser amputado, para evitar que o ferimento se espalhasse pelo corpo. “O cirurgião vascular que amputou o braço do meu primo chegou a dizer que o médico que o atendeu inicialmente deveria tê-lo operado de imediato, porque havia uma fratura exposta”, relatou Aldenira Lira, prima do menor.

Mesmo com a amputação, a infecção do braço se generalizou pelo organismo, provocando a morte de Jefferson. “Como uma pessoa quebra um braço e morre? Não estamos preocupados com dinheiro ou coisa parecida, mas entendemos que esse médico tem que pagar por essa imprudência. Inclusive, fomos aconselhados a fazer isso pelo cirurgião do HR.”

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo