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EXPANSÃO DE FACULDADES II
Aluno da rede pública continua sem acesso ao ensino superior

Apesar da crescente oferta de vagas no ensino superior, os alunos de escolas públicas continuam excluídos das faculdades, por dois motivos. Nas particulares, porque não têm condições de pagar a inscrição para a seleção. Nem muito menos para arcar com as mensalidades durante três ou quatro anos de curso. E nas públicas, porque não conseguem, na grande maioria das vezes, competir com os estudantes vindos dos colégios particulares.

Os números da Comissão do Vestibular (Covest), responsável pelo concurso das universidades Federal (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) – as maiores do Estado –, confirmam essa realidade. No ano passado, inscreveram-se 50.352 candidatos. Desse total, 16.602 eram de escolas públicas (32,97%). Apenas 1.484 foram aprovados na seleção. Mais de 15 mil ficaram de fora.

A estudante Michele Paulino, 17 anos, vai tentar uma vaga no curso de Letras da UFPE. “Até gostaria de fazer outros vestibulares, mas não tenho como pagar as inscrições. E não há a menor chance de tentar as faculdades particulares”, lamenta a estudante.

Michele vai concluir o 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Major Lélio, em Aldeia. “O ensino público é muito deficiente. A gente não tem como competir com os candidatos das escolas particulares. A concorrência é muito grande”, afirma. Para melhorar o desempenho nas provas, Michele está participando do Programa Rumo à Universidade, do Governo do Estado. “Além disso, quando estou trabalhando, procuro estudar nos intervalos do almoço”, conta Michele, que trabalha como recepcionista.

O professor do Centro de Educação da UFPE Alfredo Macedo Gomes considera o ensino superior brasileiro bastante elitista. “As universidades públicas não estão crescendo no mesmo ritmo que o número de alunos concluintes do ensino médio. Os investimentos nas instituições públicas, por parte do Ministério da Educação, têm sido mínimos”, observa Gomes.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo