O aumento na oferta de vagas para o ensino superior no Estado tem mexido com um mercado até então em franca expansão: o de cursinhos pré-vestibulares. O sonho de entrar numa das faculdades tradicionais levava os estudantes a encherem as salas dos cursinhos. Agora, como passar no vestibular ficou mais fácil, os alunos vão direto para a faculdade. Resultado: este ano, houve uma queda de 20% em relação ao número de alunos que se matriculavam nos pré-vestibulares em 99. A redução vale para as instituições que funcionam no Recife, justamente para onde convergiam a maioria dos alunos da região metropolitana.
O diretor pedagógico do Colégio e Curso Especial, professor Reginaldo Fonteles, diz que o mais importante para o aluno é ter o diploma. E, em geral, o raciocínio tem sido o seguinte: para que pagar R$ 300 num curso preparatório, se, pelo mesmo preço, é possível cursar uma faculdade. “O estudante prefere fazer o curso superior, mesmo que não seja nas universidades mais conceituadas, porque ele está de olho no mercado de trabalho”, afirma.
O professor observa, no entanto, que a redução no número de alunos não atinge os feras das áreas de medicina e tecnologia. “Isso porque o crescimento da oferta só ocorreu para os cursos de ciências humanas, que exigem menos investimentos por parte das novas faculdades.” Fonteles avalia que a multiplicação de instituições de ensino superior reflete a tentativa do País de se inserir na economia globalizada a todo custo. “O problema é que privilegiou-se o critério da quantidade em detrimento do da qualidade. Esperava-se que o próprio mercado fizesse essa depuração, o que é muito arriscado.”
O professor Serafim Gomes, sócio do Cursinho Game, afirma que os alunos que passam numa faculdade pequena ou de menor prestígio dificilmente voltam para o cursinho para tentar uma vaga nas universidades tradicionais. Nos últimos dois anos, ele também observou uma redução de cerca de 30% dos estudantes que se matriculavam no Game. “O que interessa é entrar na faculdade. A questão hoje em dia é só financeira. Se o aluno terá dinheiro ou não para pagar o curso”, observa.