Hoje, véspera do dia dedicado à santa, haverá missa às 10h e 16h. À noite, fiéis recitarão o terço. A tradicional procissão, ponto alto das comemorações, ocorrerá às 16h30 de amanhã, com saída da Basílica do Carmo
O Recife pára amanhã em homenagem à sua padroeira, Nossa Senhora do Carmo. A festa deste ano, a 417ª, é a primeira de um novo milênio, a que celebra os 750 anos do escapulário (ligado à devoção dos carmelitas) e a que entregou aos católicos a capela-mor da Basílica do Carmo, após três anos de restauração. Por tudo isso, “reveste-se de singular júbilo”, como observa o reitor da basílica, frei Almir de Andrade.
“Em sintonia com esse momento celebrativo, queremos fazer dessa festa o espaço privilegiado para aprofundarmos o sentido da nossa devoção a Maria e redescobrirmos a atualidade do escapulário”, completa o frade carmelita. Ele espera que a homenagem prestada a Nossa Senhora transforme-se, entre os fiéis, em desejo sincero de viver o exemplo daquela que “se fez serva do Senhor e que nos apresenta em sua vida o modelo perfeito do seguimento de Jesus Cristo”.
Hoje, véspera do dia dedicado à padroeira, serão celebradas missas às 10h e às 16h. À noite haverá recitação do terço, seguida das vésperas solenes, nas quais será pregado o tema Escapulário, vínculo de compromisso e de serviço.
Amanhã, as homenagens começam às 5h, quando será rezada a primeira missa do dia. A cada uma hora haverá celebrações, a última às 13h. Às 15h, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, da Ordem Carmelita, celebra missa na frente da Basílica. Às 16h30 sairá a tradicional procissão com a imagem da Virgem pelo centro da cidade. A festa terminará com a liturgia solene, ao anoitecer.
A primeira festa dedicada a Nossa Senhora do Carmo se realizou em 1584, quando foi fundado o convento e a Igreja do Carmo de Olinda, berço da ordem religiosa no Brasil. Inicialmente, as homenagens eram feitas no dia 17 de julho. Na segunda metade do século 16 foram antecedidas para o dia 16.
No Recife, os carmelitas se estabeleceram em 1663, erguendo um convento e um oratório. Com o passar do tempo a capela se tornou pequena para acolher os devotos. Em 1696, os frades, ajudados pelos fiéis, iniciaram a construção de um grande templo.
Em 1767 foi inaugurada a atual Igreja do Carmo. Seu interior, em estilo barroco, tem 12 altares e a capela-mor. No frontispício se encontra a torre com 50 metros de altura e no centro da fachada o nicho com a imagem de Nossa Senhora do Carmo esculpida em pedra.
Em 1909, a Virgem do Carmo foi proclamada padroeira do Recife e no dia 21 de setembro de 1919 coroada como padroeira. Em 1917, a igreja foi agregada à Basílica de São Pedro, no Vaticano, e em 1922 elevada à basílica (santuário).
A devoção a Nossa Senhora do Carmo tem origem no século 12. Conta-se que eremitas europeus, residentes na Palestina, construíram, no Monte Carmelo, uma capela dedicada à Virgem Maria. Por isso a chamavam de Nossa Senhora do Carmo, numa referência ao monte. Os eremitas, que ficaram conhecidos como carmelitas, foram expulsos do lugar e regressaram à Europa.
No continente europeu, os carmelitas sofreram perseguições. Segundo a crença, na noite de 15 para 16 de julho de 1225, a Virgem Maria ordenou ao papa Honório III que aprovasse a Ordem Carmelita. Como as perseguições continuaram, São Simão Stock, superior geral da ordem religiosa, implorou a Nossa Senhora um sinal particular de proteção. Em 16 de julho de 1251, a Virgem indicou-lhe o escapulário como insígnia especial de seu amor maternal. Na bula Sabatina, o papa João XXII disse que quem usar o escapulário será libertado do purgatório no sábado seguinte à sua morte.