Pesquisa de alunos da Escola Recanto, sobre o que resta de verde na capital, está entre os dez trabalhos que vão concorrer ao prêmio, durante a reunião da SBPC
por VERÔNICA FALCÃO
Um trabalho sobre o que resta de verde no Recife, realizado por alunos da Escola Recanto, é um dos dez finalistas do 44º Concurso Cientistas de Amanhã. O estudante Gustavo Godoy Burgos (foto abaixo), 13 anos, apresentará hoje a pesquisa na 53ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que prossegue até quarta-feira (18), na Universidade Federal da Bahia, em Ondina.
O grupo se baseou num estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado no Jornal do Commercio, no dia 29 de abril do ano passado. Segundo o levantamento, 30% dos 220 quilômetros quadrados do Recife são ocupados por 629 espaços livres, como praças, parques, lagos, campos de pelada, terrenos e margens de rio. “Desse percentual, 93% estão em 20 unidades de conservação e os 609 locais restantes representam apenas 7%”, explica o relatório elaborado por 11 alunos da Recanto, localizada no bairro do Benfica.
No primeiro semestre do ano passado, os alunos visitaram o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, onde a pesquisa foi realizada, e depois foram para as praças observar e fazer fotos das áreas verdes. A partir da pesquisa da UFPE, os estudantes da Recanto criaram uma escala que classifica de razoável a boa a quantidade de verde em alguns desses espaços livres.
Sob a orientação da professora de Ciências da 6ª série, Maria Jaciane Campelo, os alunos, que hoje estão na 7ª série, visitaram 13 bairros. O resultado na Madalena foi razoável; na Torre, pouca; na Caxangá, pouca; no Cordeiro, boa; na Cidade Universitária, boa; em Dois Irmãos, boa; em Apipucos, razoável; em Casa Forte, boa; em Casa Amarela, razoável; em Parnamirim, razoável; no Parque da Jaqueira, boa; nas Graças, pouca; e no Derby, razoável.
Para Gustavo, o estudo serve de alerta aos moradores do Recife. “Os prédios estão modificando a paisagem dos bairros”, constata. Para reverter a situação, o estudante sugere que a população plante mais árvores. Na feira de ciências da Recanto, no segundo semestre do ano passado, quando o trabalho foi apresentado, os alunos chegaram a distribuir mudas entre os visitantes.
O estudo acabou levando os alunos a conhecerem mais sobre algumas árvores. Num pesquisa da Internet e na biblioteca da escola, eles descobriram que a mangueira, uma das plantas mais encontradas nos espaços livres, é originária da Ásia. A Jaqueira, outra frutífera, também foi trazida de fora pelos colonizadores. Nas praças eles encontram ainda pau-brasil e gameleira, árvores nativas da mata atlântica e empregadas na arborização urbana do Recife.
Promovido pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Ibecc) e a Unesco, o concurso Cientistas de Amanhã este ano contou com 59 trabalhos inscritos. Eles serão apresentados na 53ª Reunião Anual da SBPC hoje e na terça-feira, das 14h às 17h, mas o vencedor apenas será conhecido na quarta-feira à noite, durante o encerramento do evento. Poderão ser classificados até cinco trabalhos, mas apenas o primeiro lugar receberá o prêmio: uma viagem para o aluno e seu orientador conhecerem instituições científicas e culturais de Paris, na França. Os outros recebem diploma de menção honrosa.