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AGROINDÚSTRIA DA CANA
Mata Norte comemora chuvas

Produtores da região já falam até em um crescimento de 15% na produção. O Sindaçúcar tem uma postura menos otimista

por ANGELA FERNANDA BELFORT

As chuvas ocorridas em junho e julho estão aliviando o cenário que já se desenhava de crise para a Mata Norte de Pernambuco. No primeiro semestre deste ano, os produtores de cana-de-açúcar da região realizaram o plantio para voltar a ter um crescimento de 15% da produção. “Essa expectativa não vai ocorrer porque muita semente não germinou na época correta devido ao fato de que abril e maio foram meses secos para aqueles municípios”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha.

A estimativa do Sindaçúcar é que a região apresente um crescimento da produção de 7% na próxima safra. “Se as chuvas não tivessem ocorrido, esse crescimento seria zero”, disse Cunha.

“A salvação da Mata Norte é a chuva, que é um fator limitador da produção”, falou o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, José Maria. A região foi muito atingida pelas secas que ocorreram em 97,98 e 99 com algumas localidades chegando a perder quase 100% de toda a lavoura.

O otimismo dos produtores se baseia também na análise dos índices pluviométricos. Localizado na Mata Norte de Pernambuco, o município de Goiana registrou, até junho, 814 milímetros. “Se em julho e agosto chover mais 200 milímetros pode se dizer que há um ambiente favorável à germinação da cana”, explicou Cunha.

O fornecedor de cana-de-açúcar Eudoro Pereira de Lira já plantou 12 hectares da planta este ano e pretende voltar a cultivar mais 60 hectares ainda em 2001. Dentro dos 60, pelo menos 40 estão sendo plantados dentro do Programa de Recomposição da Atividade Canavieira da Mata Norte (Prorenor).

“Enquanto tiver chuva, vou estar plantando”, comentou com alegria o fornecedor, acrescentando que vai arrumar algum dinheiro emprestado para plantar mais 20 hectares. Ele cultiva a cana no Engenho Cachoeira, em Itambé, município da Mata Norte. Antes das sucessivas secas (97,98 e 99), o fornecedor tinha uma produção da planta que variava entre 15 mil toneladas e 18 mil toneladas por safra. No ano passado, ele só conseguiu colher 2,9 mil toneladas de cana.

PERSPECTIVA – A estimativa do Sindaçúcar é que sejam moídas 15,4 milhões de toneladas na próxima safra que deve começar em setembro. Isso significará 1,1 milhão a mais de toneladas do que a última colheita (2000-2001).

Na próxima safra, a produção do álcool deve ser maior em 70 mil metros cúbicos do que na última colheita, quando foram produzidos 320 mil metros cúbicos do produto no Estado. “Isso vai depender do mercado”, falou Cunha.

O setor também aguarda com expectativa o lançamento de um novo Proálcool, um projeto desenvolvido para o Ministério do Desenvolvimento Econômico elaborado pela consultoria do ex-ministro das comunicações, Mendonça de Barros.

O projeto pretende estimular uma maior produção do álcool voltada para o comércio exterior. “Precisamos ter garantias de mercado para voltar a fabricar mais ”, revelou Cunha.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo