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RACIONAMENTO II
Cogeração é a nova fronteira do lucro

As grandes indústrias, preocupadas com os riscos oferecidos pelo atual sistema energético, estão começando a se voltar para investimentos estruturais que possam lhe proporcionar a auto-suficiência em termos energéticos. A escolha está recaindo, principalmente, em projetos de cogeração, pelos quais as empresas produzem energia e vapor a ser utilizado no aquecimento das caldeiras.

Uma das primeiras a falar no assunto foi a Petroflex, localizada no Cabo de Santo Agostinho, que começou a planejar a implantação de uma térmica de cogeração muito antes de se pensar em racionamento. “As indústrias vão participar dessa mudança do perfil energético brasileiro”, garante o diretor da Petroflex, Marconi Madruga, referindo-se à grande dependência da produção hidrelétrica – que ocupa 90% da matriz energética do País.

Segundo ele, a vantagem desses investimentos é garantir, para as empresas, o controle sobre o seu fornecimento de energia. A única falha pode vir da falta da matéria-prima que, no casos das usinas de cogeração, é o gás natural. Madruga comentou que, recentemente, outras empresas começaram a procurar a Petroflex para tratar da usina que está sendo planejada pela indústria em parceria com a Rhodia, Alcoolquímica e Energy Works – subsidiária do grupo espanhol Iberdrola (líder do consórcio Guaraniana) e que será responsável pela parte técnica do empreendimento.

PRAZOS – “Esperamos que até o final de 2002 essa planta já esteja em operação”, afirma o diretor, comentando que a Petroflex poderá capitanear o empreendimento sozinha – que, a princípio, terá capacidade para gerar 40 megawatts (MW) –, caso as outras parceiras desistam do investimento. “É fundamental para nós a implantação dessa usina”, ressaltou Madruga.

A previsão é que as três indústrias deverão consumir em torno de 30% da energia produzida pela termelétrica. O restante deverá ser comprado pela própria GCS e vendida a outra empresa do eixo sul do Estado. O investimento previsto é de R$ 40 milhões.

A idéia de construir uma usina no local surgiu primeiro na Petroflex. Há quase dois anos, a indústria apresentou um projeto preliminar à Celpe – na época, estatal –, no qual previa a instalação de uma térmica de 100 MW. A proposta foi revista e a diretoria regional achou que seria mais viável a parceria com outras empresas.

Mas essa proposta por parte das empresas pernambucanas não uma novidade. A tendência recente é a de que grandes indústrias acabem produzindo sua própria energia, como é o caso da fábrica da Coca-Cola, em Suape, que é dotada de uma térmica própria.

Nas regiões Sul e Sudeste, onde a rede de distribuição de gás natural é bem mais ampla, esse tipo de empreendimento já é uma realidade e existe há muito mais tempo. A expansão da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) é uma das premissas para esses projeto.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo