O que para a maioria dos pernambucanos pode estar sendo um tormento, o racionamento de energia está se transformando em um bom negócio para o setor sucroalcooleiro. Segundo as estimativas de algumas usinas, a possibilidade de aumento da receita é de 5% a 6% somente com a venda de energia gerada em sistemas próprios para a Guaraniana Comércio e Serviços (GCS) – uma subsidiária do consórcio Guaraniana, controlador da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe).
Até agora, a GCS já fechou a negociação com cinco usinas que produzem energia por meio de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Outras oito usinas já geram energia por meios de sistemas de co-geração, com o uso do bagaço da cana-de-açúcar. Dessas, quatros já assinaram contrato com a GCS e outras quatro estão em fase final de negociação.
A negociação é boa para os dois lados. Como as usinas não têm possibilidade de ir ao Mercado Atacadista de Energia (MAE) comercializar esse excedente – pelo volume produzido ser baixo – a GCS é um caminho para desovar os excedentes, ou seja, a energia não aproveitada na produção da usina. Já a GCS, por ter um caráter de comercializadora, pode levar esse volume adquirido para o MAE e vender pelo preço de mercado que, atualmente, está alto devido à escassez do produto.
A União Indústria, que já fechou contrato com a GCS, está investindo R$ 1,2 milhão, até setembro na implantação de máquinas que diminuem o consumo de vapor gerado com bagaço na fabricação do açúcar e do álcool. Com a implantação desses equipamentos, a empresa vai conseguir um acréscimo de 29% na geração do vapor, permitindo que sejam vendidos 0,7 megawatt hora (MWh) a mais, na próxima safra. A empresa tem duas pequenas centrais hidrelétricas que geram 1,3 MWh, dos quais 0,8 MWh já são vendidos para a comercializadora.
Embora algumas empresas já tenham estudos que mostram a viabilidade de grandes projetos de geração de energia, nenhuma delas definiu a implantação de medidas a longo prazo. A justificativa é que os investimentos são altos e não há uma definição de uma política clara de compra da energia a longo prazo para que a empresa tenha um retorno daquilo que será empregado.
CENTRAIS – Implantadas em uma época em que a energia era um produto raro, pelo menos sete PCHs no Estado poderiam receber equipamentos para aumentarem a sua capacidade de geração de energia.
Grande parte desses empreendimentos foram instalados dentro de usinas e fábricas na Mata Sul.
As pequenas hidrelétricas foram, em sua maioria, construídas na década de 40 e, até hoje, muitas delas dispõem de equipamentos antigos, que apresentam uma menor eficiência na geração.
As usinas que possuem esses tipos de empreendimentos são: a Trapiche, a Cucaú, a Pedrosa, a Frei Caneca, a Catende, a Estreliana e a Bom Jesus. Ainda existe uma usina de energia chamada Pirapama na Mata Sul, que pertence a antiga fábrica de tecidos de mesmo nome.