por DANIEL OLIVEIRA
Especial para o JC
ALIANÇA – Um mês de chuva foi o suficiente para renovar as expectativas dos produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte, em relação à continuidade da cultura da lavoura, que é à base da sustentação econômica da região. A Usina Cruangi, que fechou a safra de 2000 com uma defasagem perto de 30%, iniciou um processo de recuperação do campo aberto e replante de uma área de aproximadamente 1,2 mil hectares. Até o momento, 400 hectares foram semeados e as estimativas dos técnicos de campo é que, se permanecer chovendo, será possível concluir toda a área até o final de agosto.
Dezenas de engenhos e propriedades rurais que são administradas pela Usina Cruangi, nos municípios de Timbaúba, Aliança, Nazaré da Mata, Vicência e Macaparana, entraram no programa de replante iniciado pela indústria no início da semana passada. Para agilizar o trabalho, foram contratados 300 novos trabalhadores, número que, segundo a administração da Usina, deve aumentar até o final do mês. Os recém-contratados são camponeses que fazem parte das frentes de trabalhadores que já trabalham para a empresa no período de safra.
Para o trabalhador Severino João da Silva, 44 anos, retomar as atividades mais cedo significa ter mais dinheiro no bolso. “Vamos ter pelo menos dois meses a mais de trabalho”, comentou, lembrando que, normalmente, ele só trabalhava durante os seis meses da safra. Na opinião dele, não são apenas as estiagens que prejudicam a vida do trabalhador rural. “O desenvolvimento das novas técnicas de plantio e o processo de aplicação de herbicida substitui a nossa mão-de-obra”, analisa, comentando que isso faz com que o canavieiro se restrinja apenas à atividade do corte de cana.