LG_jc.gif (3670 bytes)

SPORT
Raça: promessa de Aldrovani

Atacante chega à Ilha do Retiro com a responsabilidade de matar a sede de gols da torcida e fazê-la esquecer Leonardo e Rodrigo Gral

por FRED FIGUEIROA

Nos últimos anos, a camisa nove no Sport foi sinônimo de dor de cabeça. Não foram poucos os atacantes que chegaram à Ilha do Retiro com fama de goleador e muitas promessas. Mas, dentro das quatro linhas, ou melhor, na cara do gol, eles falharam. O último fiasco foi Rodrigão, que veio do Santos.

Na última semana, chegou mais um jogador para vestir a camisa 9 rubro-negra, que já pertenceu a Ademir Menezes, Vavá, Dario Peito de Aço, Roberto Coração de Leão e Luís Carlos. O nome do novo atacante é Aldrovani, um paranaense de 28 anos que fez fama no futebol catarinense. Aldrovani chegou como seus antecessores, trazendo na bagagem um currículo vasto de gols e até mesmo um recorde: ele foi o jogador que mais fez gols (33) com a camisa do Figueirense em um único semestre. Isso aconteceu em 1999.

“Foi trabalhando com humildade que cheguei onde queria e vou continuar assim. A única coisa que prometo é muita dedicação para honrar essa bela camisa rubro-negra”, afirmou o atacante. Porém, a tarefa que este paranaense assume tornou-se ainda mais complicada após a saída de Leonardo e Rodrigo Gral, talvez os dois únicos atacantes que conseguiram agradar no Sport nos últimos cinco anos.

Agora, além de marcar gols, Aldrovani tem a missão de conquistar o coração dos torcedores rubro-negros. “É difícil substituir uma pessoa. Ainda mais dois grandes jogadores como Leonardo e Gral”, confessou. Porém, em Aldrovani estão unidas a velocidade, característica de Leonardo, e a raça, marca de Rodrigo Gral. “Eu vim do Sul, onde o futebol é jogado com força e não existe bola perdida. Comigo não vai faltar raça”, garante o goleador, que ainda aponta sua melhor característica: “Velocidade é o meu ponto forte. Não sou de ficar parado, esperando a bola chegar. Vou em busca dela.”

Mas Aldrovani sabe que a torcida não espera dele apenas velocidade e dedicação, os rubro-negros querem mesmo é que ele faça as redes adversárias balançarem. “Fazer um gol é sempre muito difícil. Até mesmo quem joga pelada sabe disso. É zagueiro dando pontapé, goleiro pegando tudo. É complicado” explica o jogador, especialista no assunto. “Quando você começa a marcar gols em um campeonato é que vai ficando cada vez mais difícil, pois o atacante passa a ser visado e a marcação não dá espaço”, conta.

O desafio do novo dono da camisa nove do Leão começa no primeiro dia de agosto, quando o Sport estréia no Brasileiro contra o Fluminense, na Ilha do Retiro. “Começar diante da torcida aumenta a responsabilidade. Mas o importante é começar vencendo e se conseguir marcar um gol então, vai ser maravilhoso”, projeta o atacante, que disse ainda não ter nenhuma comemoração especial ensaiada para a hora do gol. “É um momento de explosão total, não há como controlar”, diz. Agora é esperar para ver se Aldrovani consegue explodir no Sport e incendiar a torcida rubro-negra. Ou decepcioná-la, como Rodrigão, recentemente.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo