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EM BUSCA DA REABILITAÇÃO IV
Mau desempenho assusta Jairzinho e Carlos Alberto

RIO – Há um sentimento de perplexidade no universo do futebol pela derrocada da seleção brasileira, há seis jogos sem vencer e há três anos sem convencer. Poucos apontam uma saída, a curto prazo, da crise que se agrava a cada mês e, numa análise atormentada, tentam entender os porquês do fracasso. Nem mesmo uma vitória por goleada hoje, contra o Peru, seria capaz de inverter a situação ou atenuar a incredulidade e a falta de prestígio da seleção.

O que levou a seleção a uma situação tão medíocre? Para o ex-ponta Jairzinho, a falta de um calendário racional foi um dos motivos. Ele acha que a fase ruim começou há bastante tempo, mesmo antes da conquista da Copa do Mundo de 1994. “Já não éramos os melhores ali, ganhar Mundial nos pênaltis não faz parte da nossa tradição.” Jairzinho manifestou sua indignação com o olé dos mexicanos na estréia do Brasil na Copa América. Lembrou-se de dois quadrangulares vencidos pelo Botafogo no México, no início dos anos 70, em que participaram a seleção mexicana, a da Tchecoslováquia e o Estrela Vermelha, da Iugoslávia.

Campeão do mundo em 1970, como Jairzinho, Carlos Alberto Torres, atribui ao excesso de jogos desprezíveis parte do insucesso do Brasil. “A seleção se banalizou, enfrentando tudo quanto é tipo de adversário e a toda hora.” Para o capitão da campanha de 70, o modelo das atuais eliminatórias mostrou-se incompatível com o futebol brasileiro. Não dá para se reunir segunda-feira e jogar dois dias depois.

Ele também critica a diretoria da CBF, incapaz, em sua avaliação, de adotar um critério na escolha e manutenção das comissões técnicas. “A mudança contínua de treinadores fragiliza a seleção, que fica órfã de uma base para a formação de uma grande equipe.”

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo