De contrato renovado, o treinador faz planos para reforçar equipe para o Brasileiro, mas garante não é de ‘inchar’ o clube. Do time campeão, só indicou Danilo
por HENRIQUE QUEIROZ
Dono de um estilo aguerrido, Muricy Ramalho, 45 anos, fez história no futebol pernambucano ao levar o Náutico a um título estadual após 11 anos de jejum. Sexta-feira, pouco antes de embarcar para São Paulo, já com o contrato renovado para dirigir o time no Brasileiro, ele fazia planos para reforçar a equipe. Não pretende pedir jogadores do eixo Rio-São Paulo. Durante o Estadual, fez observações e elogiou o meia Zé Carlos, da AGA, o goleiro Charles e o centroavante Jacaré, ambos do Porto.
“Vamos fazer tudo dentro de um critério. O Náutico vai precisar de alguns reforços. Não significa que serão jogadores de São Paulo. Gostei muito de Zé Carlos, de Charles e de Jacaré. Não são conhecidos, mas têm qualidade”, ressaltou.
Sobre a ‘fórmula mágica’ para ganhar um campeonato, Muricy garante que a simplicidade é o melhor caminho. “O futebol é uma coisa simples, não adianta complicar.”
Quando chegou aos Aflitos, Muricy fez um contrato de dois meses, mas sempre dizia, nas entrevistas, que veio para ficar bem mais tempo. Para chegar ao título, administrou dificuldades e passou confiança aos jogadores. Além disso, se identificou com a torcida e o clube. Consciente das dificuldades financeiras do Náutico, renovou o contrato até dezembro, mesmo tendo recebido proposta de outra equipe, cujo nome não quis revelar: “Não sou treinador de inchar o clube com contratações. Não indico dez ou quinze jogadores. A única indicação que fiz para a diretoria foi a do meia Danilo”, comentou, para acrescentar: “Para continuar no Náutico, conversei com a minha família. A minha esposa e os meus filhos gostaram do Recife. Por isso, preferi ficar.”
A CAMPANHA – Os 15 jogos disputados para chegar ao título foram considerados por Muricy como uma “maratona desgastante e muito dura”. Segundo ele, o nível técnico da competição ficou acima do que ele esperava. “Fiquei surpreso com a qualidade das equipes intermediárias. Claro que ainda falta muita coisa. Mas Pernambuco está no caminho certo. Resta melhorar os gramados e as instalações no interior. Não é uma crítica, mas uma sugestão para o espetáculo melhorar.”
Nos 15 jogos, foram nove vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. “As duas derrotas foram em situações atípicas. Contra o Sport (2x0) tivemos dois jogadores expulsos. Na decisão do segundo turno contra o Santa Cruz (1x0), jogamos desfalcados. Não quero com isso faltar com o respeito aos adversários.”
O técnico alvirrubro lembra que começou a confiar na conquista do título quando o time foi derrotado pelo Santa por 1x0. “Perdemos o segundo turno naquele jogo. Mas o time, mesmo desfalcado de Thiago, Kuki e Sangaletti, mostrou força. A nossa torcida aplaudiu a equipe. Assim, para os dois jogos decisivos entramos com o moral alto.”
TÍTULOS E INFLUÊNCIAS – Meia habilidoso do São Paulo na metade da década de 70, Muricy foi auxiliar-técnico de Telê Santana durante quatro anos no tricolor paulista (1992/96). “Aprendi muito com Telê. Ele era um mestre. Sabia montar um time com força na marcação e com qualidade técnica”, frisou.
Ao lado de Telê Santana, o treinador alvirrubro conquistou o campeonato paulista de 1992, o bicampeonato da Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes de 1992/93, como ainda a Supercopa 1993.
Em 1994 com a confiança de Telê Santana, comandou o ‘expressinho’ do São Paulo e sagrou-se campeão da Conmembol. Já em 1996, já como técnico do São Paulo conquistou a Copa dos Campeões da Libertadores. Antes de vir para o Náutico, o último título foi conquistado na China, dirigindo o Xangai em 1998.