Entidade fecha com Votorantim Ventures contrato de mantenedor master. Empresa poderá investir também nas incubadas
O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) e a Votorantim Ventures, fundo de capital de risco mantido por uma das mais tradicionais – e prósperas – empresas brasileiras, estão enfim sós, ou melhor, sócias. As duas empresas acabam de anunciar um ‘casamento’ que coloca o grupo de investidores como mantenedor master do Cesar, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, até que a morte – ou a perspectiva de um negócio melhor – os separe.
Entre as atribuições assumidas pela Votorantim Ventures de agora em diante, estão uma taxa de contribuição anual de R$ 30 mil, além de suporte empresarial permanente. “A intenção é que o grupo possa atuar diretamente na definição das estratégias de negócio adotadas pelo Cesar, indicando novas áreas de investimento e auxiliando na geração de empresas e na inserção delas no mercado”, afirma o presidente do centro, Silvio Meira.
Responsabilidade demais? Não para os executivos da Votorantim Ventures, que já trataram de identificar outras formas de explorar essa união. “Poderemos terceirizar serviços de consultoria tecnológica para parceiros ou clientes, recorrendo ao Cesar”, afirma um dos acionistas responsáveis pelo fundo, Luís Hermírio de Morais. Além disso, o executivo não descarta a possibilidade de investir nas unidades de negócio do Cesar ou em empresas geradas pelo centro de agora em diante. Recursos não faltam. O fundo conta com US$ 300 milhões para investir em negócios promissores nas áreas de TI (tecnologia da Informação) e biotecnologia. Isso só para começar. Os executivos garantem que o montante pode crescer.
Mas a relação das duas empresas não será das mais monogâmicas. O Cesar já conta com outras mantenedoras, como Bompreço, Sudene, Seplan, Procenge, CSI e JCPM, e Silvio Meira não faz segredo: outros casamentos virão por aí. E não serão poucos. Aproximadamente 20, segundo ele. Essa busca por novos parceiros faz parte de um plano de reestruturação do centro, que prevê alterações até no modelo de incubação adotado pela entidade e tem como uma das metas o aumento de 1000% no orçamento até o ano de 2010.
“Quando estivermos instalados no Porto Digital, contaremos com uma infra-estrutura cinco vezes maior. Ou seja, haverá mais espaço para geração de empresas”, afirma Silvio Meira. Para garantir o amadurecimento desses negócios num intervalo de tempo menor, o Cesar está modificando até a composição de seu conselho técnico científico. “Antes, eram sete membros, dos quais três representavam a sociedade e quatro, a universidade. Agora, o conselho é formado por 11 pessoas”, diz Silvio Meira.
A nova composição traz mais dois representantes dos mantenedores, um do Porto Digital e um das empresas geradas pelo Cesar. “Essa abertura do conselho é resultado de uma maior maturidade institucional do centro”, comemora Meira, que prefere fazer segredo sobre a atual ‘noiva’ do Cesar. Tudo isso para não ofuscar o casamento com a Votorantim, que ele define como eterno. Pelo menos enquanto durar, como diria o poeta.