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COMPORTAMENTO II Eles são vaidosos... com o PC! Usuários investem nos enfeites que o micro pode ter, nos softwares que podem incrementar a área de trabalho e em periféricos com atrativos estéticos por MÁRCIO PADRÃO Antes, era tudo preto e branco. Na primeira metade da década de 90, uma janelinha colorida e ondulada sacudiu o universo do software. Na segunda metade da mesma década, um computador de exterior translúcido mexeu com o coração do pessoal de hardware. O Windows e o iMac certamente são os exemplos mais bem-sucedidos da superação do tabu o computador deve ser prático, e não bonito. A partir destes dois marcos, muitos usuários passaram a se importar com o visual do PC, por dentro e por fora: alteram o tema da área de trabalho do Windows, trocam os periféricos por modelos de design mais arrojado, baixam programas de papéis de parede e colocam suvenires ao redor do micro. Ele é um objeto de uso pessoal, portanto precisa parecer com a gente, defende o webdesigner Felipe Moura, 21 anos. A idéia é levada a sério, pois ele, o irmão e o pai possuem uma identidade e senha própria de Windows, para que possam decorá-lo como bem entender. O visual do meu pai é o mais limpo possível, o do meu irmão é muito enfeitado, opina. O administrador de rede Marcelo Andrade, 26, é aficionado por mudanças no visual do computador desde quando quase ninguém pensava nisso. No início da época do Windows 95, ele havia entrado na Marinha e ajudou a mudar a cultura tecnológica dos colegas. Eu já conhecia a Internet e baixava alguns sons e temas novos. Os marinheiros tinham certo receio dessas novidades, achavam que isso iria quebrar o micro. Depois de um tempo, até me pediam para mudar o visual toda semana, pedindo fotos de navios como papel de parede, recorda Marcelo. Pela tela do seu monitor passeiam desenhos japoneses, como Cavaleiros do Zodíaco, Akira e Evangelion, filmes de ficção como Star Wars e Jornada nas Estrelas, e imagens de São Paulo, sua cidade natal. Com a ajuda do Plus, um aplicativo das versões mais recentes do Windows, ele costuma trocar semanalmente não só a imagem, mas todo o tema de trabalho leia-se ícones, cores, fontes e sons. As opiniões de Felipe e Marcelo são bem distintas no quesito tema: o primeiro cria o estilo com elementos de diversas temáticas; o segundo é mais purista e usa um assunto fechado de cada vez. BOM GOSTO As estripulias estéticas se estendem para o lado de fora e o gabinete se torna alvo de inovações ou adereços. A analista de marketing do Radix, Andréa Nogueira, 22, não poupa esforços para humanizar o pequeno espaço onde trabalha.Resultado: o computador fica cheio de enfeites, indo desde pequenos adesivos até um copo colorido e cachorrinho de pelúcia. Gosto de objetos modernos, feitos de madeira ou metal. De um modo geral, acho que tenho bom gosto para enfeites, orgulha-se. A mania de Andréa rendeu uma história curiosa. Há alguns meses, ela trabalhava apenas de manhã e o micro era usado por outra colega à tarde. Eu gostava de pôr uma tartaruga de plástico em cima do teclado. A menina achou que foi uma indireta, que eu a chamei de lerda, por isso escondeu a tartaruga. As outras pessoas da sala explicaram tudo, disseram que não era nada disso. Depois, ela pediu desculpas e me devolveu o enfeite, conta. Os vaidosos vão além e gostam de cuidar da aparência do gabinete e periféricos. Exemplos não faltam: Felipe usa um mouse translúcido; Marcelo adquiriu há pouco tempo um gabinete de cor creme e detalhes arredondados; o gerente de corretora Gustavo Milano, 30, possui um PC azul cintilante com LEDs fluorescentes. Adepto do estilo iMac, Gustavo considera a possibilidade de comprar um no futuro. Se os PCs continuarem melhorando o visual, eu continuo com eles. Se não, corro para um Macintosh, sentencia. |
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