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Pinga-Fogo
Inaldo Sampaio

O novo PPS

O PPS de Pernambuco não é mais o mesmo depois da reunião do último domingo. Até a antevéspera do encontro ele se dividia em três correntes: uma ala simpática ao Palácio das Princesas na suposição de que Jarbas Vasconcelos, sem outra opção presidencial, terminaria ficando com Ciro Gomes, uma corrente mais à esquerda pregando distância do governador e uma maior aproximação com o PT e o PSB, e uma terceira, menos pragmática, querendo formar uma chapa própria para disputar o Governo do Estado.

Depois de um enorme “quebra-pau” que começou no sábado e terminou no domingo, o partido finalmente acertou o passo. Não se fala mais (publicamente) em aliança com Jarbas e nem na candidatura própria de Elias Gomes, de João Lyra Neto ou de Fernando Bezerra Coelho, como se cogitou anteriormente. Também ficou descartada a candidatura de Carlos Wilson à reeleição. Ele, se tiver interesse, que saia candidato a deputado federal.

Os “pepessistas” caíram na real depois que Ciro Gomes embicou nas pesquisas. Eles estão chegando à conclusão de que devem buscar a sua própria identidade, uma vez que há um pedaço do partido que apóia FHC (Raul Jungman), outro que está com João Paulo (Waldemar Borges) e um terceiro que simpatiza com Jarbas.

Quem abre pra quem?

Mesmo que as esquerdas pernambucanas decidam marchar unidas para as próximas eleições, o “quebra-pau” interno não será resolvido assim tão facilmente. Em Caruaru, para citar apenas um exemplo, estão postas duas candidaturas à Câmara Federal no campo de oposição a Tony Gel (PFL): a do suplente Wôlney Queiroz, do PDT, e a do ex-prefeito João Lyra Neto (PPS). Ambos vão ter que se entender porque só há espaço para um.

O pai e o filho

Se dependesse de Roberto Magalhães, seu filho Carlos André (PSDB) não teria entrado na política. Mas já que ele decidiu e a mãe apoiou, o pai não poderia ficar contra. Com isso, o ex-prefeito do Recife vai ter que trabalhar dobrado: arrumar votos para ele e também para o filho, basicamente no Recife e na área metropolitana.

Lógica inversa

Para o deputado Ricardo Fiúza (PFL), é cruel a vida dos parlamentares. Pelo menos em Pernambuco, disse ele, “quanto melhor o mandato mais difícil a reeleição”. O deputado refere-se a ele próprio: consome 16 horas do seu dia no trabalho de relatoria do Código Civil mas não escapa da acusação de ter “abandonado” as bases.

Simon tem poucos soldados em Pernambuco

O deputado Maurílio Ferreira Lima foi o único peemedebista de Pernambuco que foi a Joinville (SC), três meses atrás, assistir ao lançamento da candidatura de Simon à presidência da República. Mas depois silenciou.

Deputado está andando atrás da vaga de senador

Joaquim Francisco leva mais a sério do que muita gente pensa sua candidatura ao Senado pelo PFL. Enquanto Marco Maciel está preso em Brasília, cuidando dos afazeres do cargo, o deputado está solto pelo interior.

Assédio moral

O deputado evangélico Marcos de Jesus (PL) entrou na linha moralista de Severino Cavalcanti (PPB). Apresentou um projeto na Câmara acrescentando mais um tipo de crime ao Código Penal: “assédio moral”. Segundo ele, trata-se de uma “cantada” mais sutil do que o “assédio sexual”, que por Lei já é crime.

Crescimento real

O prefeito João Paulo (PT) estima em 10% a queda de arrecadação do ISS, neste semestre, por conta do racionamento de energia. De janeiro a maio a receita foi satisfatória: R$ 55,7 milhões (contra R$ 48,6 milhões do ano anterior). Descontada a inflação do período, houve um crescimento real de 4,15%.

Para Ranílson Ramos (PPS), o Governo do Estado pode ter cometido um “grave erro” ao decidir duplicar a BR-232 com cimento em vez de asfalto. E diz por quê: “Cimento subiu 22% nos últimos seis meses e asfalto caiu 18%”. No final das contas, diz ele, “cada Km dessa estrada terá custado R$ 3 milhões”.

Embora esteja quase decidido a abandonar o PMDB, o projeto político do deputado Armando Monteiro Neto insere-se no contexto da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Ela tem simpatia por Serra, embora não acredite na sua viabilidade eleitoral, e vê Ciro Gomes com reserva pelo fato de o PPS ser o sucedâneo do extinto PCB.

Recém filiado ao PSDB, o deputado estadual Israel Guerra está recebendo pressão das bases para filiar-se a um partido de oposição. As bases chegaram à conclusão de que ele está sem espaço em Arcoverde, seu principal reduto político, onde quem dá as cartas é a prefeita Rosa Barros (PFL).

Até 30 de setembro,os deputados federais Salatiel Carvalho e Joca Colaço deverão estar fora do PMDB. Eles se convenceram de que terão uma reeleição praticamente impossível se permanecerem aonde se encontram. Salatiel examina convite de Pedro Corrêa para retornar ao PPB e Joca de Sérgio Guerra para entrar no PSDB.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo