Perto de completar 80 anos, Partido Comunista do Brasil tem cada vez mais influência no movimento estudantil, de onde surgem novos militantes da legenda
por MÔNICA CRISÓSTOMO
Fundado em 1922, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é o mais antigo em atuação no País. Apesar de seus quase 80 anos, é um partido de jovens. Tradicionalmente ligado ao movimento estudantil, o PCdoB possui, atualmente, 30% de seu quadro nacional com idade inferior a 29 anos. Em Pernambuco essa realidade se repete. Dos 5.800 militantes filiados à legenda, cerca de 1,7 mil possuem entre 25 e 29 anos. Além disso, a maior parte dos quadros do partido é ocupada por militantes oriundos dos grêmios e outras entidades estudantis.
Alguns dos principais exemplos da trajetória da militância do PCdoB podem ser encontrados nas atuais administrações de Olinda e Recife. Além da prefeita de Olinda, Luciana Santos (PCdoB), que militou por mais de dez anos na União Nacional dos Estudantes, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, também foi formado pela UNE, da qual foi presidente no ano de 1967, em plena ditadura militar.
Para o atual presidente do partido no Estado, Alanir Cardoso, que também veio do movimento estudantil, a presença dos jovens na legenda serve para manter a vitalidade. "Aqui nós unimos a história, os conceitos clássicos do comunismo e a disposição de sempre aprender. Jovens e não-jovens trabalham unidos para dar continuidade a um projeto que já tem quase 80 anos só no Brasil", argumenta Alanir.
Entre as entidades estudantis que mais se destacam junto à militância do partido estão a União da Juventude Socialista (UJS), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES). Em Pernambuco, existem representantes de todas as entidades. Todos têm ligação com o partido. Alguns, a exemplo do atual presidente da UJS, Maksandro Souza, 25, são filiados ao PCdoB e ocupam cargos dentro da estrutura organizacional da legenda. Souza é membro da direção estadual.
A estimativa das coordenações das entidades estudantis é que aproximadamente 450 mil estudantes, entre secundaristas e universitários da Região Metropolitana do Recife, recebem algum tipo de influência política de seus quadros. "Nós trabalhamos com a construção de uma consciência crítica junto aos jovens. Muitos têm contato direto. Outros só por meio de informativos, palestras e manifestações de massa. O importante é que nossas mensagens sempre acabam chegando até eles", avalia Maksandro.
Além de 'espalhar' teorias e discursos sobre o modelo socialista, os jovens militantes da UJS, UNE, UBES e UMES fazem um incessante trabalho de 'formação política'. "Não se trata de assédio. Eles debatem os grandes teóricos e criam uma série de mecanismos com isso. Muitas vezes conseguem discutir assuntos de uma densidade teórica tão grande que chega a assustar. Eles têm sede de saber e isso é natural nos jovens. Por isso, muitos que entram na militância por meio do movimento estudantil acabam se filiando ao partido", afirma Alanir Cardoso.