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PARTIDOS
Verdes em busca de espaço político

De olho no poder, verdes se estruturam sonhando em ocupar o espaço do PT nas eleições estaduais e se consolidar como a nova força política

por FABÍOLA MENDONÇA

Agora que o PT é Governo e deverá sofrer os inevitáveis desgastes que o poder provoca, o Partido Verde (PV) pretende aproveitar a lacuna deixada pelos petistas – que utilizavam o discurso de que o modo petista de governar iria mudar a vida das pessoas – para investir no marketing político e se consolidar como a nova força nas eleições do ano que vem. Depois do ingresso do deputado João Braga na legenda, em abril passado, o PV tomou fôlego e começou um trabalho de formiguinha para levar a semente verde ao maior número possível de municípios pernambucanos. Sem falar na estrutura física que o partido passou a ter.

“Como o PV não tinha nenhum parlamentar, sempre teve uma grande dificuldade de se estruturar. 2002 será o ano do PV. Daqui para lá o PT vai ficar sem discurso e ninguém aguenta mais PFL, PMDB e PSDB. O PV está falando a mesma linguagem da população, como água, energia, desertificação e outros temas que estão no dia-a-dia da pessoas. O discurso verde vai ser a novidade das próximas eleições”, ressalta Braga, minimizando a baixa que o partido teve na semana passada, quando o único deputado federal verde, Fernando Gabeira, trocou o PV pelo PT.

Embora se autodenomine um deputado de oposição, Braga passou a minimizar as críticas ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) depois que aderiu ao PV, um partido governista. Há quem diga, inclusive, que a sigla verde funciona como uma sublegenda controlada pelo Palácio do Campo das Princesas. Mas essa aproximação, ainda que discreta, entre Braga e Jarbas tem um preço: para se filiar ao PV Braga impôs como condição que a legenda o lançasse, em 2004, candidato a prefeito do Recife, um sonho que carrega há vários anos e que foi o motivo que o levou a romper politicamente com o governador.

Nas eleições de 1996 Jarbas se negou a apoiar o ex-aliado e lançou Roberto Magalhães (PFL) para prefeito. Para não chegar em 2004 com o risco de ver sua candidatura sendo rifada de acordo com os interesses do Palácio – como aconteceu no ano passado quando ainda estava no PSDB –, Braga está preparando o PV para o pleito do ano que vem, como forma de se fortalecer para a sucessão municipal.

O neo-verde já percorreu 30 municípios nos três meses em que está no partido e pretende, até o final de setembro, concluir as conversas para compor as chapas proporcionais. Ele estima que para cada 12 mil a 15 mil votos que a legenda tiver, fará um deputado estadual. Na última eleição, Braga obteve 17.557 votos e teve dificuldade de se reeleger pelo PSDB. “Nas viagens pelo interior estamos fazendo acordos políticos. Cada município terá uma cota de votos para dar ao PV. Se esse percentual não for cumprido vamos tomar o comando do partido de quem estiver à frente do diretório ou comissão provisória. Se quer a legenda para disputar em 2004 terá que pagar antecipado em 2002. Estamos juntando musculatura para daqui a quatro anos”, afirmou.

DIVERGÊNCIA – Dentro desse acordo para ser o candidato a prefeito pelo PV, Braga também colocou como critério para se filiar ao partido que todas as pessoas que ingressarem na legenda tenham o compromisso de apoiá-lo em 2004. O pacto, no entanto, não é consenso dentro do PV. “Braga é um político profissional, um bom quadro, mas não existe nenhum compromisso em lançá-lo para prefeito”, comentou, no anonimato, um militante verde, acrescentando que “a circunstância política de 2004 é que irá definir quem será o candidato.”

Se o nome para a disputa municipal ainda não é consenso, os militantes verdes convergem na discussão estadual. Todos concordam com a reeleição de Jarbas, mas deixam claro que se o peemedebista disputar outro cargo, o partido não deverá apoiar um candidato pefelista. “Se Jarbas não for candidato, zera-se o placar e o PV vai estudar a conjuntura para se posicionar”, explicou Carlos Augusto Costa, presidente municipal do PV e membro da executiva nacional da legenda.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo