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PARTIDOS II
“O PV terá candidato a prefeito em 2004. E eu estou na lista”

Longe dos holofotes desde o ano passado – depois do fracasso de sua candidatura a prefeito do Recife e da saída do PSDB –, João Braga está de volta à cena. Ele trabalha no interior para pavimentar sua reeleição, mas seu sonho é chegar à PCR. Em entrevista ao JC, Braga revela o acordo com o PV para bancar sua candidatura em 2004 e admite que um dos critérios para se filiar à legenda é se comprometer com esse projeto. Diz não temer a influência do Palácio no partido e ataca os tucanos. “O PSDB foi vendido. O PV não está à venda. O erro do PV no ano passado foi não ter trabalhado uma chapa competitiva. Só apoiou Roberto Magalhães por não ter se programado para eleger uma bancada de vereadores”.

JORNAL DO COMMERCIO – Há informações de que o senhor, antes de se filiar ao PV, teria selado um acordo com o partido para garantir sua candidatura a prefeito do Recife em 2004. Outro dado é que para entrar no PV é preciso se comprometer com esse projeto. Essas informações procedem?

JOÃO BRAGAAs informações estão corretas. O que discuti com o PV foi que o partido terá candidato próprio no Recife em 2004. Claro que eu estou na lista. Não quero que aconteça o que aconteceu com o PSDB (nas eleições de 2000), que foi vendido para o PFL. Eu tinha condições de disputar e fui impedido. Quero ajudar o PV a crescer como instituição no Estado, mas com vistas em 2004. Só que essa questão passa antes pelas eleições de 2002. Tem muito chão pela frente ainda. Claro que estamos com os olhos voltados para 2004, mas antes teremos o pleito estadual.

JC – Nas eleições do ano passado, o PSDB chegou a lançar sua candidatura, depois cedeu a pressões do Palácio das Princesas e apoiou a reeleição de Roberto Magalhães em detrimento do seu nome. E o PSDB era um partido estruturado, com uma bancada grande na Assembléia Legislativa... O senhor não teme que o mesmo aconteça com o PV, um partido com uma estrutura muito menor que o PSDB?

BragaFoi exatamente por ter uma grande estrutura que o PSDB cedeu. Em 1996, quando o partido era tão pequeno quanto o PV, rompeu com Jarbas (que apoiou Roberto Magalhães) e bancou minha candidatura.

JC – Mas no ano passado o PV sinalizava para uma composição com um candidato de oposição a Roberto Magalhães. Depois, por orientação do Palácio, decidiu apoiar o pefelista...

BragaO erro do PV nas eleições do ano passado foi não ter trabalhado uma chapa competitiva para não ficar atrelado a ninguém. Faltou alguém para montar o partido. Só apoiou Roberto Magalhães por não ter se programado na perspectiva de eleger uma bancada verde de vereadores.

JC – E para 2004, o senhor não acha que o Palácio também irá colocar o dedo no PV, dependendo das coligações feitas pelo governador Jarbas Vasconcelos?

BragaO PSDB inchou e formou um grupo com pessoas que não tinham nada a ver com o partido, como Luiz Piauhylino e Sérgio Guerra. Em 96, tínhamos dois deputados e dois vereadores e disputamos contra o candidato de Jarbas. O PSDB foi vendido. O PV não está à venda. Estamos determinados em formular uma proposta verde. Nossas idéias refletem no dia-a-dia da população. Há 15 anos que falamos de água, energia, desertificação, e ninguém dava importância. Hoje, são problemas vividos por todo mundo. O PV será o charme, a novidade e a surpresa da próxima eleição.

JC – Alguns integrantes do PV ficam reticentes em falar do acordo para 2004. Dizem que ‘tudo vai depender do momento’, numa demonstração de que podem não se comprometer com sua candidatura.

BragaO PV vai ter candidato em 2004. O que ainda será definido é se serei eu ou não. Vai depender de 2002. Por exemplo, se João Braga não se reeleger deputado? Aí, fica difícil. Mas não vai acontecer a mesma molecagem que o PSDB fez comigo no ano passado. Eu posso até não ser o candidato se em 2004 tiver um quadro mais habilitado.

JC – Depois do episódio que eliminou seu nome da disputa do ano passado, com a anuência do Palácio, como está sua relação com o governador Jarbas Vasconcelos, já que o senhor, agora no PV, está na base governista?

BragaMantenho minha postura de independência e continuo na bancada de oposição. O partido organicamente está próximo do Governo, mas quando me filiei, coloquei que iria continuar com as minhas posições. Os contatos que tive com o governador foram dois: um pelo Conselho da Cidadania e o outro pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, os quais coordeno.

JC – Nem um telefonema?

BragaNão. Uma vez o deputado João Negromonte (cunhado de Jarbas) me convidou para uma partida de pôquer, outra vez Geraldo Freire (radialista) me chamou para o Festival da Seresta, para ficar na mesa com Jarbas. Mas não fui a nenhum dos programas. Estava viajando.

JC – Hoje o PV tem aliança com o governador e deverá apoiá-lo nas eleições do ano que vem. Mas se ele não disputar a reeleição, o PV pode apoiar um candidato do PFL?

Braga Se Jarbas não for candidato muda tudo, zera todo o processo. Como um conhecedor de Jarbas, eu vou dizer uma coisa: ele só disputa a reeleição se tiver a garantia que o seu segundo Governo terá recursos suficientes para dar continuidade ao trabalho que está fazendo. Se não houver um acordo concreto com o Banco Mundial que garanta isso, ele disputa outro cargo. Aí, o PV vai analisar que caminho seguir.

JC – E Raul Jungmann, quando entra no PV?

BragaNós convidamos Jungmann. Ele tem algumas dificuldades para resolver e ainda não se definiu. Seria muito bom tê-lo conosco.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo