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Poços de Caldas

A pequena cidade do interior de Minas Gerais recebe dezenas de turistas que vão banhar-se em suas águas mornas e viver dias sossegados

por RICARDO JAPIASSU
Especial para o JC

Encravada na Serra da Mantiqueira, a 1.200 metros de altitude, Poços de Caldas (MG) é mesmo uma estância privilegiada. Suspensa sobre as “águas do demônio” – caldeirão de águas sulfurosas cujo eixo mede 35 quilômetros de extensão –, esse primeiro balneário da América Latina recebe, por ano, uma média de 120 mil turistas que buscam, sobretudo, o aconchego de suas termas mui calientes e o charme de suas atrações turísticas.

Em estilo arquitetônico neo-romano, as Thermas Antônio Carlos recebem, por exemplo, uma média de 7 mil pessoas nos meses de alta estação, como janeiro. Nesse local recoberto por vitrais, mobília em estilo indiano e espelhos bisotados, é possível banhar-se em águas que nascem a 45° e chegam às banheiras a 37º. Basta a imersão de 20 minutos, ou mesmo sentir os efeitos relaxantes do banho de hidromassagem. Essas águas são medicinais e proporcionam a cura de artrite, artrose, reumatismo, dermatites entre outras doenças.

À saída das termas, o charme vira romantismo. Trata-se do encontro com a Fonte dos Leões, que recebe o nome devido aos três leõezinhos em mármore branco – uma miniatura do barroco português –, de cujas bocas jorra água mineral. Cercados por bouganvilles, fincados sobre um terraço, eles permitem 24 horas por dia de água mineral fresca. É só juntar as duas mãos e saciar a sede. Na Fonte dos Leões, as noites mornas (setembro a março) e de lua constituem um agradável passeio. O romancista João do Rio e o poeta Olavo Bilac gostavam de beber nessa fonte.

É nesse mesmo sítio histórico, erguido em 1928 pelo então governador mineiro Antônio Carlos de Andrada, que se encontra o maior parque urbano da cidade, dividido em duas partes: Praças Dr. Pedro Sanchez e José Afonso Junqueira, que ocupam 5,3 hectares no centro da cidade. Inteiramente restaurado, a obra custou aos cofres públicos R$ 1,5 milhão e abriga 1.168 árvores centenárias dos cinco continentes. “É um lugar exótico”, comenta o arquiteto responsável pelo restauro, João Neves.

FONTE SONORA - O jardim esconde dois locais maravilhosos. Primeiro, a fonte luminosa e sonora, que impressiona pela altura que atingem seus jatos d’água, cujas formas sugerem silhuetas, junto com o som emitido por caixas de som. Apesar da beleza e da sincronia, “nada é programado”, ressalta o arquiteto. Acrescenta-se a esses dois aspectos o fato de também haver mudança de cor, devido à iluminação posta na fonte, durante os malabarismos aquáticos. Há banquinhos nesse local e vale a pena assistir ao espetáculo de luzes e sombras.

Para quem desejar um programa mais refinado, após um relax na fonte, o Café Concerto – um pequeno bangalô situado no fundo do jardim sobre o encontro dos ribeirões das Antas e de Caldas – oferece boa música (às vezes, um sax), leitura, tortas saborosas, cafés de aroma agradável e, o melhor, muita gente bonita sentada nos cadeirões do alpendre. Vale conferir também as demais construções da época, entre elas o Palace Cassino.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.07.2001
Quinta-feira