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A CIDADE
Eterno charme aristocrático

Um dos principais símbolos da antiga aristocracia cafeeira, o Palace Cassino tem espaço em seus jardins para nostálgicas retretas e bailes populares

Cassino de linhas neocoloniais, cercado pelo jardim francês (simétrico e cartesiano) projetado pelo paisagista alemão Dier Berger, o Palace Cassino pode ser apontado como o expoente máximo do luxo e da suntuosidade vividos em Poços de Caldas. Um dos maiores exemplos é o belo salão azul, ou de “Catarina da Rússia”, com sacadas amplas, altura elevada, três lustres em cristal pendentes e colunas com filetes de ouro. De suas janelas, é possível avistar a pérgola formada por colunas gregas, recobertas por bouganvilles, ocupando uma área total de 180 metros quadrados.

Somente para ter idéia do espaço desse “jardim encantado”, há um coreto no meio da Praça Dr. Pedro Sanchez, com direito a retretas e bailes populares, em todos os finais de semana. No coreto, das sextas aos domingos, das 20 às 24h, a bandinha afina músicas da primeira metade do século 20, quando senhores de terno e gravata convidavam as damas à contradança. Não há discriminação social visível nesses eventos. São momentos imperdíveis.

CAFÉ - Fora da grande praça, mas não longe, encontra-se outro exemplar do que foi a aristocracia cafeeira nesse rincão da Mantiqueira. O Museu Histórico e Geográfico está instalado num chalé do século 19, possivelmente projetado pelo arquiteto italiano João Batista Pansini, radicado na cidade e que, cumprindo as ordens do Barão Martinico Prado, fez erguer a construção. Hoje, inteiramente preservadas, as suas dezesseis salas abrigam a memória da região, como a requintada mobília de jantar do Conde do Pinhal, óleo sobre tela do Barão de Itacuruçá – o primeiro da Corte a gozar do frescor do verão na serra mineira – e as reminiscências do Barão do Campo Místico, que acompanhou o Imperador Pedro II durante sua visita à estância.

OURO - Esse chalé é apenas um dos remanescentes da época em que o café valia ouro na Serra da Mantiqueira. Outro aberto à visitação é o de propriedade do Instituto Moreira Salles – o primeiro do Brasil – inteiramente restaurado, onde periodicamente há recitais, concertos, palestras, cursos, uma exposição permanente, sobre a História da cidade, e outras itinerantes. Para não perder o sotaque mineiro, um pé de jaboticaba no quintal assegura um toque interiorano ao requintado e bem mantido chalé, onde as linhas arquitetônicas do Tirol (Áustria) permanecem inteiramente conservadas.(R.J.)

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Jornal do Commercio
Recife - 12.07.2001
Quinta-feira