LG_jc.gif (3670 bytes)

O NOVO MARKETING
Elas fazem tudo pelo cliente

Para conquistar passageiros, empresas aéreas descobrem estratégias pouco convencionais de marketing. Vale até fantasiar funcionário de alemão

por PRISCILLA DANTAS

Abriram-se as portas da sala VIP. A cordialidade e os mimos oferecidos aos passageiros de 1ª classe não são mais privilégio daqueles que pagam mais por um atendimento diferenciado. Os usuários da classe econômica transformaram-se no novo alvo das companhias aéreas que, preocupadas com a concorrência, passaram a investir em inusitadas e atraentes estratégias de marketing.

Um exemplo disso encontra-se nas principais salas de embarque doméstico do País. Quem, por exemplo, estiver no embarque do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, vai se deparar com um apetitoso atrativo. Empresas como a TAM e a Rio Sul oferecem diariamente, no local, bufês de salgados, frios, doces, sucos e refrigerantes para os passageiros. Isso para que todos, sem distinção, esperem com conforto a hora de embarcar.

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação (Snea) confirma que, de três anos para cá, as companhias nacionais instituíram a ordem de tratar à ‘pão-de-ló’ os usuários da classe mais barata. De acordo com a assessoria de comunicação da entidade, grandes nomes da aviação nacional passaram não só a reduzir o valor das tarifas, como também a investir na qualidade dos serviços prestados. Fator que já coloca o Brasil no patamá de atendimento das grandes companhias mundiais.

De acordo com o departamento comercial da TAM no Recife, a empresa não tem medido esforços para atender às expectativas dos usuários. Na opinião do supervisor comercial da empresa na cidade, Alan Ximenes, o referido serviço de bufê, o tapete vermelho no momento do embarque e do desembarque e a inclusão de pianistas e saxofonistas nos salões domésticos de alguns aeroportos são medidas que angariam novos clientes. O Aeroporto Internacional Guararapes não deve, entretanto, ter tão cedo mimos como lanchinhos antes do embarque. As empresas do setor alegam que o número de passageiros ainda não justifica o investimento.

“Na Páscoa, sempre distribuimos chocolates em todos os vôos e, no dia da mulher, todas as passageiras recebem rosas”, conta Ximenes. Ele revela que o feed-back tem sido positivo. “Vamos continuar a investir no carinho e no cuidado com os nossos passageiros porque isso é bastante recompensador”, acrescenta.

MULATAS EM FRANKFURT – Uma outra idéia ‘marqueteira’ da TAM está no lançamento de suas rotas internacionais. Nos vôos inaugurais para Buenos Aires e Frankfurt, que aconteceram no primeiro semestre deste ano, a empresa colocou, em vários aeroportos do País, casais de dançarinos e bandas típicas das duas nações para animar os turistas. Na mesma época, em Frankfurt, mulatas e sambistas marcavam a chegada de mais uma aeronave da TAM vinda do Brasil. Um carnaval tipicamente brasileiro, fora de época, na medida para fazer o turista querer voltar ao Brasil, usando, claro, a companhia.

Quando o assunto é o ‘marketing da gentileza’, várias empresas entram na briga. A Varig também sua a camisa. De acordo com o assistente da gerência da companhia no Recife, José Mario Correia, não é preciso ser gênio e inventar grandes novidades de marketing. Uma das principais armas para conquistar o passageiro é o sorriso da tripulação. “Freqüentemente a nossa equipe é treinada para usar a simpatia e o respeito diante de todos os usuários. Nosso esforço é maior com o pessoal de bordo, pois eles ficam o tempo todo junto dos passageiros”, afirma o assessor, assegurando que, a cada dia, a companhia colhe melhores resultados. “O número de elogios escritos aumentou bastante nesses últimos anos. Por isso, a nossa tripulação de cabine aumentou o tempo de contato e o número de informações durante o vôo, humanizando mais a viagem”, expõe.

O comandante da Varig, Marcel Mendes, é um dos adeptos da recepção amigável. Ele ressalta que é bastante importante que a tripulação deixe o passageiro à vontade. “É interessante bater um papo com eles. Geralmente alguns ficam tensos e se sentem desconfortáveis. Com uma conversa descontraída, isso é deixado de lado”, diz Mendes, enfatizando que costuma convidar os curiosos de plantão para uma visita à cabine de comando.

O QUE VALE É O PREÇO – A novata Gol segue os passos das gigantes, porém com algumas ressalvas. Segundo o gerente de operações da empresa no Recife, Isaac Ferrarezi, a empresa, assim como as concorrentes, coloca o cliente em primeiro lugar. Ele conta que um dos diferenciais da Gol é o speech (ou seja, a fala do comandante). “Durante os nossos vôos, os comandantes contam a história da Gol e dão uma mini-aula de geografia sobre os lugares em que a aeronave está sobrevoando. Isso agrada bastante.”

Mas não é só cortesia o que garante a presença do passageiro. Ferrarezi acredita que o grande segredo para se conquistar o mercado está longe de salamaleques. Para isso, bastam apenas baixas tarifas. “Na verdade, as pessoas buscam os preços mais em conta. Por causa disso, só em Pernambuco, fechamos o primeiro semestre com um aproveitamento de 80% de taxa de ocupação.”

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 12.07.2001
Quinta-feira