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REFORMA AGRÁRIA
Jornada sem-terra pronta para invadir as capitais

Protesto do MST tem como pano de fundo a data de 17 de abril, que marca os cinco anos do massacre de Eldorado do Carajás (PA), onde 19 sem-terra foram assassinados por soldados da Polícia Militar

RIBEIRÃO PRETO – Milhares de sem-terra devem invadir as capitais de 23 Estados a partir de amanhã em protestos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra a política agrária do Governo Federal.

Estão previstas marchas, vigílias e concentrações. A invasão de prédios públicos não está descartada. “Cada Estado vai construir o modelo de luta conforme a sua realidade e necessidade”, diz Roberto Baggio, da direção nacional do movimento.

A jornada de lutas do MST tem como pano de fundo a data de 17 de abril, que marca os cinco anos do massacre de Eldorado do Carajás (PA). Na ocasião, 19 sem-terra morreram em confronto com a Polícia Militar. Até agora, ninguém foi condenado pelo episódio.

Neste final de semana, os militantes promoveram invasões em fazendas no Pará e em São Paulo. Na semana passada, os sem-terra invadiram e depredaram um engenho em Pernambuco e bloquearam uma rodovia em Alagoas.

“A tendência é pipocar muitas ocupações para denunciar os cinco anos de impunidade de Eldorado do Carajás e essa política do Governo que só privilegia os ricos do campo”, diz Nonato de Souza, da coordenação estadual do MST no Pará. “O caldo certamente vai engrossar esta semana”, diz Itelvina Masioli, da direção nacional.

Entre hoje e amanhã devem estar chegando às capitais marchas de sem-terra que partiram do interior de Pernambuco, Mato Grosso, Alagoas e Bahia.

Na capital paulista, o protesto do MST será conduzido por cerca de mil camponesas ligadas à Articulação Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais. As camponesas devem ficar acampadas na cidade de 17 a 19/4. A atividade deveria ter ocorrido na segunda semana de março, junto com atos realizados em outras capitais, mas foi adiada devido à morte do governador Mário Covas.

Segundo Baggio, os militantes do campo pretendem se unir aos trabalhadores urbanos em atos nas capitais. Estão previstas também missas e concentrações em pontos do interior que ficaram marcados pelo assassinato de trabalhadores rurais.

Na pauta de reivindicações dos sem-terra, além de mais verbas para os assentados e mais terras para reforma agrária, estão as lutas contra os alimentos transgênicos, a corrução e a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2001
Segunda-feira

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