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Câncer:
Informações e Dados
Dr. Jaime de Queiroz Lima e James Anthony Falk *
Nos últimos oitenta anos,
o câncer de pulmão evoluiu de uma rara e curiosa causa
de morte, para a condição de verdadeira endemia,
responsável pela morte de 80 (oitenta) para cada 100 mil
habitantes, na população dos países mais
desenvolvidos. Até a década de 60, a doença
apresentava forte prevalência no sexo masculino, o que
vem diminuindo com o tempo. A previsão é que em torno
do ano de 2010, as mulheres, finalmente, igualem-se aos
homens nas estatísticas de morte pelo câncer pulmonar.
Os fatores etiológicos até hoje estudados, mostram que
o hábito de fumar, em qualquer das suas modalidades,
apresenta-se como a principal causa predisponente ao
câncer de pulmão. A poluição e os contaminantes
industriais, isoladamente, perdem significado
estatístico para o tabagismo quando comparados como
causa de câncer de pulmão.
A mortalidade pelo câncer de pulmão está intimamente
associada ao consumo do fumo, conforme demonstram os
estudos prospectivos, que relacionam os grandes
movimentos sociais da humanidade à mortalidade por esta
doença.
A Segunda Guerra Mundial, quando eram indistintamente
distribuídas "RAÇÕES" de cigarros entre os
combatentes, foi importante causa na disseminação do
hábito de fumar, mostrando 20 anos após, na década de
60, a maior incidência do câncer de pulmão em homens
já observada. As empresas de propaganda de cigarros, bem
como a indústria cinematográfica, que apresentavam os
fumantes com especial "glamour", difundiu a
tendência ao fumo especialmente entre os jovens.
No fim da década de 80, finalmente, vazaram para o
grande público os resultados de pesquisas encomendadas
pelas grandes indústrias do fumo, destinadas a acentuar
a dependência pela nicotina e ampliar o número de
fumantes. Tribunais de alguns países já condenaram esta
prática que, infelizmente, é incontrolável nos países
em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, onde os Governos
abstraem o fato de que as despesas com o tratamento dos
pacientes portadores de câncer de pulmão e outras
doenças provocadas pelo cigarro, são superiores à
arrecadação dos altos impostos que taxam o comércio do
fumo.
Do ponto de vista prático, o consumo de 20 cigarros por
dia, durante vinte anos, quase equivale a um câncer de
pulmão, se antes o paciente não sucumbir à outra
moléstia diretamente relacionada ao seu hábito de
fumar, tais como, as doenças cardiovasculares, enfizema
pulmonar e um significativo aumento nas tendências ao
câncer do esôfago, da próstata, bexiga e do estômago,
entre outras.
Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer sobre
óbitos ocorridos em 1998, o câncer de pulmão foi
campeão, representando 12,26% do total. O crescimento
das taxas de mortalidade por esta doença é acentuado,
mas nas mulheres este aumento é mais marcante do que nos
homens. As taxas brutas de mortalidade estimadas para
2001, por câncer de pulmão, é de 12,83/100.000 entre
os homens e 6,86/100.000 entre mulheres. Em relação ao
demais tipos de câncer, o INCA prevê os seguintes
números para o ano de 2001:
Estimativa de óbitos por câncer
para o ano de 2001 - INCA
Localização Primária Número deÓbitos
Pulmão - 15.145
Estômago - 10.765
Mama - 8.670
Próstata - 7.320
Cólon e Reto - 7.230
Esôfago - 5.310
Leucemias - 4.265
Colo de Útero - 3.725
Boca - 3.225
Melanoma - 1.050
Pele - 830
Outros - 50.015
Total - 117.550
Segundo dados do INCA, dos 15.145 óbitos previstos para
o ano de 2001, 10.700 serão de homens e 4.445 de
mulheres. Isto significa um aumento de 410 óbitos para
homens e 213 óbitos para mulheres, em comparação à
estimativa feita para o ano de 2000. Conforme dados do
INCA, entre 1979 e 1998, a taxa de mortalidade por
câncer de pulmão cresceu 56% entre os homens e 108%
entre a população feminina.
Está prevista ainda, para o ano de 2001, a incidência
de 20.835 novos casos, sendo 14.900 para o sexo masculino
(aumento de 340 casos sobre o ano 2000) e 5.935 (aumento
de 313 casos) para o sexo feminino.
Na evolução do câncer, muitos fatores estão
envolvidos, entre eles o próprio envelhecimento da
população, decorrente das ações de saúde que evitam
mortes prematuras por doenças infecciosas ou
parasitárias. O desenvolvimento sócio-econômico, no
entanto, modifica hábitos da população. Não existe
país sem câncer, mas os tipos de câncer vão mudando
de acordo com o desenvolvimento do país. Tomamos por
exemplo as mulheres, que passaram a fumar mais,
aumentando a incidência de câncer de pulmão; e a adiar
a primeira gravidez, um dos fatores de risco para o
câncer de mama, o tipo de tumor maligno de maior
incidência e mortalidade entre mulheres de locais com
boas condições econômicas. Infelizmente, o câncer de
pulmão foi previsto como a segunda causa de morte por
câncer, entre as mulheres brasileiras, no corrente ano.
Colaboração: Dr. Paulo José de Almeida, Médico
Titular -Deptº de Cirurgia Geral do Hospital de Câncer
de Pernambuco
Fonte de Dados: INCA (Instituto Nacional do Câncer
Ministério da Saúde, Estimativa de Câncer para o ano
2001
* Departamento de
Controle e Prevenção:
Dr. Jaime de Queiroz Lima - Médico; Chefe do
Departamento
James Anthony Falk, Ph. D. - Assessor do Grupo de
Pesquisa
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Jornal do Commercio
Recife - 02.04.2001
Segunda-feira
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