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VIOLÊNCIA
Três homens assassinados no bairro de Rio Doce

Os crimes, atribuídos a grupos de extermínio, aconteceram no último sábado e deixaram a comunidade em pânico. Duas das vítimas foram arrastadas de casa e executadas no meio da rua

Os moradores da III Etapa de Rio Doce, em Olinda, viveram um dia de terror, no último sábado. Em menos de 12 horas, a ação de grupos de extermínio fez três vítimas na comunidade e deixou as pessoas apavoradas. No início da tarde, quatro homens armados com revólveres perseguiram um segurança de rua e o mataram dentro do depósito de um mercadinho. Durante a noite, um outro grupo – com seis integrantes – invadiu uma casa localizada a cerca de 200 metros do estabelecimento onde ocorreu o primeiro crime e executou dois biscateiros, a tiros.

O segurança Érico Carlos de Lyra, 22 anos, fazia vigilância para várias casas e estabelecimentos comerciais da Rua 5, na III Etapa de Rio Doce. Ele estava trabalhando, no início da tarde de anteontem, quando quatro homens apareceram e o perseguiram. Érico tentou se proteger, correndo para o interior do depósito de um dos mercadinhos da rua. Os assassinos, no entanto, não se intimidaram. Invadiram o local e deram vários tiros na cabeça do segurança.

“A gente ficou sem reação nenhuma, aqui dentro. O rapaz entrou correndo e, depois, dois homens vieram atrás. O pessoal disse que mais dois estavam na rua, dando cobertura, e os que entraram meteram bala no segurança. Depois, eles saíram do depósito, calmamente, e desapareceram. Isso foi logo após o meio-dia, com a rua cheia de gente”, relembrou um funcionário do mercadinho que preferiu não se identificar.

TERROR – Cerca de 200 metros adiante, os moradores da 4ª Travessa da Rua Andorinha passaram momentos de terror, na noite de sábado. Seis homens armados com revólveres e espingardas invadiram um barraco e arrastaram para a rua o prestamista João Raimundo Soares, 34, e o concunhado dele, Antônio Batista, 27. Os desconhecidos espancaram as vítimas e, em seguida, mataram-nas com vários tiros.

“Só quero ir embora daqui. Agora, não adianta fazer mais nada, pois meu marido foi morto desse jeito, sem eu nem saber por que. Já chegaram invadindo a nossa casa e arrastando ele e o concunhado para fora”, lembrou a mulher de João Raimundo, que também pediu para não ser identificada, temendo represália.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2001
Segunda-feira