Os trabalhadores rurais iniciaram a caminhada, na terça-feira passada, depois de terem ocupado e destruído a casa-grande da Usina Aliança. Eles percorreram mais de cem quilômetros
A marcha dos trabalhadores rurais sem-terra chega hoje ao Recife, reunindo mais de 1,5 mil camponeses de todo o Estado. Eles iniciaram a caminhada, na última terça, após a ocupação e destruição da casa-grande da Usina Aliança, localizada na Zona da Mata Norte. Em sete dias, homens e mulheres percorreram, a pé, mais de cem quilômetros, passando pelas cidades de Aliança, Nazaré da Mata, Tracunhaém, Carpina, Paudalho, São Lourenço da Mata e Camaragibe, até a capital.
Segundo o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jaime Amorim, a marcha entrará no Recife pelo bairro de Dois Irmãos (ver arte). Os agricultores serão recepcionados, à tarde, no Viaduto de Caxangá, por grupos de sem-teto, estudantes e outras entidades organizadas. Amanhã, Dia Internacional da Luta Camponesa, os sem-terra iniciam as atividades, às 9h, com um ato ecumênico no Parque de Exposições de Animais, no Cordeiro.
Pelos cálculos do MST, mais de cinco mil pessoas acompanharão a marcha, na capital. Ontem, os trabalhadores saíram de Paudalho, às 6h30, almoçaram ao meio-dia, em São Lourenço, e, à tarde, foram recebidos em Camaragibe por secretários municipais. A Prefeitura de Camaragibe cedeu duas escolas para o pernoite e doou alimentos, como fez a maioria dos prefeitos das outras cidades.
Jaime Amorim informa que, desde anteontem, os carros da Polícia Militar estão acompanhando o trajeto, atrás da marcha, e não na frente, como antes. Além disso, os policiais não estão mais pedindo aos comerciantes das cidades para fechar as portas por causa do protesto. “Fizemos um acordo com a PM, por isso, não bloqueamos a BR-408 no sábado, como havíamos anunciado”, explica.
Na caminhada de amanhã, os sem-terra vão lembrar o massacre dos 19 trabalhadores de El Dourado dos Carajás (PA), ocorrido há cinco anos. Também serão lembradas as mortes de agricultores pernambucanos, como José Marlúcio, assassinado no dia 25 de julho do ano passado, durante tiroteio numa agência do Banco do Brasil em Boa Viagem (Recife), e Marco Careca, que morreu há 15 dias, no assentamento Água Branca, em Quipapá (Mata Sul). Marluce Melo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), acrescenta que os sem-terra vão protestar contra a Medida Provisória 2027, do Governo Federal, que impede as vistorias em terras ocupadas.
MISSA – Na manhã de hoje, trabalhadores e ex-funcionários da Usina Aliança participam de uma passeata e de uma missa, no município, em solidariedade à família Pessoa de Mello, dona da empresa. A missa será celebrada na capela de Nossa Senhora da Conceição, pelo bispo de Nazaré da Mata, Dom Jorge Tobias.