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LEVANTAMENTO
Bactéria ameaça cultivo de flores

Microorganismo foi encontrado por pesquisadores da Rural numa espécie de helicônia. Ministério da Agricultura fará levantamento de focos da doença

por VERÔNICA FALCÃO

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) detectaram em flores tropicais cultivadas no Estado a bactéria Ralstonia solanacearum, considerada uma das maiores ameaças à agricultura. O microorganismo, que se instala no sistema vascular da planta, provocando sua morte, foi encontrado numa espécie de helicônia pela equipe do Laboratório de Fitobacteriologia da UFRPE. O Ministério da Agricultura está ciente do problema e iniciará, ainda este mês, um levantamento dos focos da doença.

Os técnicos da Seção de Sanidade Vegetal da delegacia federal do ministério em Pernambuco vão visitar plantações de helicônias e coletar amostras das plantas com sintomas da doença. As amostras serão enviadas para o Laboratório de Fitobacteriologia da UFRPE, que realizará a análise. Os custos dos testes, ainda não avaliados, serão cobertos pelo próprio ministério. O órgão, cuja função é normatizar e fiscalizar a agricultura no País, não tem laboratórios para esse tipo de pesquisa. “Ao final do trabalho, vamos elaborar um mapa da Ralstonia solanacearum no Estado”, adianta o chefe da seção, José Lamartine Pereira.

O entomologista considera a análise das amostras fundamental para o trabalho. “Diagnosticar apenas pelos sintomas não é seguro porque a doença pode ser confundida como outro mal, a exemplo da murcha provocada pelo fusário”, explica. Segundo ele, o principal sintoma da Ralstonia solanacearum é a murcha da planta.

Uma das preocupações dos técnicos do ministério é com a contaminação dos bananais de Pernambuco. “Embora seja pequeno, o risco de a doença passar da helicônia para a bananeira existe”, adverte o fitopatologista Shizuo Hasano, fiscal do Ministério da Agricultura. Para evitar a contaminação, Hasano recomenda aos produtores rurais não cultivarem banana e helicônias numa mesma propriedade. “Essa é a única orientação por enquanto. Depois do mapeamento poderemos adotar outras medidas, como a barreira fitossanitária”, adianta.

Na opinião de Shizuo Hasano, o fato de a bananeira e a helicônia pertencerem à mesma família de plantas – a das musáceas – aumenta a preocupação com o problema. “Se a bactéria encontra condições favoráveis na helicônia em Pernambuco, pode também encontrá-las na bananeira”, diz. O fitopatologista lembra que na Amazônia, onde a doença está sob vigilância do ministério, a Ralstonia solanacearum ataca tanto as bananeiras quanto as helicônias.

O especialista não sabe explicar como a doença chegou até Pernambuco. Uma possibilidade é a contaminação ter acontecido a partir de helicônias importadas. “As pesquisas nesse sentido ainda são incipientes”, diz Hasano. Nos bananais, a bactéria provoca a murcha da planta, por isso a doença é chamada de murcha ou moko-da-bananeira. Na helicônia os sintomas são semelhantes e a bactéria provoca a murcha-da-helicônia.

De acordo com a pesquisa realizada na UFRPE, a bactéria encontrada na helicônia é não apenas da mesma espécie da que ataca a bananeira, mas também da mesma raça. A estirpe – tipo de especialização do microorganismo –, no entanto, é diferente. O trabalho foi apresentado em agosto do ano passado, em Belém, durante o 33º Congresso de Fitopatologia. Os pesquisadores envolvidos se recusam a comentar os resultados enquanto o Ministério da Agricultura não concluir o mapeamento.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.04.2001
Domingo