Este ano, a declaração anual do Imposto de Renda tem assustado os contribuintes. A tabela é a mesma desde 1996. De lá para cá, o País passou por algumas crises econômicas e quem conseguiu reaver as perdas provocadas pela inflação está pagando mais ao Fisco.
Além dos limites de isenção, estão congeladas há cinco anos as tabelas de dedução. Isso significa que a dedução das despesas com educação, por exemplo, não acompanhou a correção de preços. A maior perda é para quem estava dentro do limite de isenção do imposto (R$ 10,8 mil) e passou a contribuir por causa de reajustes salariais.
De acordo com o consultor Rogério Simões, da Ernst Young, mesmo os contribuintes que não tiveram reposição salarial, mas já pagavam o imposto, estão perdendo com o congelamento. Ele explica que isso acontece porque as despesas cresceram com os aumentos de preços e a mordida do Leão continuou a mesma, reduzindo o poder de compra dos vencimentos.
Cálculos feitos pela União Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco) apontam para um limite de isenção de R$ 1.152,00. Em Pernambuco, isso significaria deixar de fora do ajuste de contas pouco mais de 42% dos contribuintes. Além disso, muitos dos contribuintes que hoje estão na segunda faixa de contribuição (pagando uma alíquota de 27,5%) voltaria à primeira faixa (15%). As contas da Unafisco apontam que a segunda faixa só incidiria sobre sos salários a partir de R$ 2,3 mil.