![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
A grande festa do chocolate POR CAROL ALMEIDA
O que antes era uma estratégia de mercado (inventaram até que coelho põe ovo), transformou-se ao longo do tempo em uma tradição quase tão religiosa como comer peixe na Sexta-feira Santa. Ovos de chocolate, ou melhor, de Páscoa, são responsáveis hoje pelo crescimento expressivo da produção de chocolate no Brasil. País onde o formato do ovo somou suas características físicas (associadas em muitos lugares ao ciclo da vida) ao tempo de renovação cristã, quando Cristo ressuscita e volta à Terra. No entanto, apesar da nobre explicação, ovo de Páscoa é vendido com um propósito que se assemelha mais a uma desculpa, que a uma justificativa: comer chocolate. O Brasil é um dos poucos países do mundo que vende chocolate em formato de ovo e a brincadeira, que no começo atraía somente as crianças, gera, agora, um fascínio entre os adultos, que se presenteiam pelo País com toneladas de cacau dissolvido. No Recife, as opções vão desde o elementar cardápio dos grandes supermercados até o comércio de casas de chocolate especializadas, como a Kopenhagen e a Cia. do Cacau. Os preços subiram bastante, mas a procura parece ser cada vez mais incessante. Mesmo oferecendo uma oferta maior, em quantidade e opções, as três maiores indústrias de chocolate do País, Garoto, Lacta e Nestlé, não pretendem amargar prejuízos. O sabor da balança final de Páscoa para eles deve ser tão doce quanto o produto que fabricam. Para se ter uma idéia do tamanho dessa indústria, as Lojas Americanas, conhecida por sempre somar uma quantidade inacreditável de ovos de Páscoa em suas prateleiras, colocou somente na loja do Shopping Tacaruna, este ano, 170 mil ovos, e afirma que o aumento do consumo (segundo as projeções da empresa) deve ser de 10 a 15%. Eu compro para toda a família e ainda para alguns amigos. Não pode faltar de jeito nenhum, opina a funcionária pública Tereza Carvalho. Este ano, ao contrário das Páscoas passadas, Tereza decidiu apostar suas economias comprando em uma quantidade maior. Para isso, resolveu migrar dos shoppings para uma loja que vem chamando a atenção de quem passa pelo Cais de Santa Rita: a Companhia Distribuidora de Chocolate. O espaço, que funciona normalmente como depósito para produtos variados de mercearia, toma ares de pandemônio nesta época (há três anos isso ocorre), quando é invadido por clientes que, para baratear suas despesas, compram em caixas, adquirindo ovos quase que pela metade do preço dos produtos vendidos nas lojas de departamento. A marca comercializada no depósito é a Top Cau e, para os clientes mais cautelosos, é bom explicar que ela faz parte da Nestlé, ou seja, não é nada semelhante àqueles chocolates de sabores estranhos, vendidos por alguns com o codinome de caseiros. O oposto faz a Kopenhagen. A loja é conhecida em todo o País pelo seu especial cuidado com o chocolate e, por isso mesmo, oferece um produto com um preço bem menos em conta. A compensação vem no sabor do chocolate e nas opções de, além dos ovos, oferecer coelhos de chocolate. Na pequena loja do Shopping Recife, a pessoa pode encontrar um ovo de Páscoa com a aparência de um ovo comum de galinha, só que recheado inteiramente de chocolate. Cada ovo desse pesa 50g. Há também a ala dos ovos recheados com ingredientes do tipo rum, creme de leite, gianduia e marshmallow. Ou ainda os ovos recheados de trufas, sejam elas de conhaque, rum, damasco ou menta. Se quiserem sair do lugar comum, os clientes podem também escolher entre cestas que, além dos ovos em questão, são cobertas por bebidas e, algumas vezes, bichinhos de pelúcia. As cestas, aliás, são a especialidade da Cia. do Cacau, casa que dispõe de dezenas delas em sua vitrine. Os preços não são feitos para se encaixar naquelas lembraçinhas de amigos, mas são justos ao bolso de devotos apaixonados, por exemplo. A mesma Cia. do Cacau oferece este ano uma variedade maior de ovos de Páscoa, produzidos artesanalmente na minifábrica da empresa. De 40 gramas até quatro quilos, o cliente pode perder a razão e cair na fraqueza consumista de levar chocolate até para a vizinha chata. |
|