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CORREIO ELETRÔNICO II
Eles não vivem sem novas mensagens

Usuários recorrem a e-mails para todo tipo de comunicação com amigos, independentemente da distância física. Quando o hábito vira um vício, o melhor é controlar o uso

A correspondência virtual entrou para ficar na vida da analista de marketing Viviane Teobaldo, 24 anos. Ao final do curso da faculdade, Viviane, que já adotara o hábito de enviar e-mails constantemente, teve medo de perder o contato com os amigos de turma. “Todos estavam sempre muito ocupados para falar por telefone, então o e-mail tornou-se a solução”, lembra.

Apaixonada por e-mails, Viviane enviava dezenas de mensagens aos amigos. Não satisfeita, anexava arquivos que julgava interessantes, como imagens e pequenos programas. “No meu trabalho o envio é quase instantâneo, então não me dava conta que causava problemas, lotando as caixas de entrada dos outros.” Conclusão: a garota tornou-se alvo de pilhérias dos próprios amigos. “Nos encontros de turma, não se falava em outra coisa. Uma das meninas chegou a exigir: ‘não me mande mais e-mails, por favor’”, diz.

Hoje Viviane afirma ter mais consciência do seu vício, selecionando com mais rigidez as pessoas e os assuntos. “Em casos como textos de humor, meu assunto preferido, eu lia e já enviava pros outros, mesmo não achando tão bom assim. Agora só passo adiante coisas realmente engraçadas”, afirma. Mas o hábito continua firme. Como o computador do trabalho lhe avisa automaticamente se chegaram novas mensagens, as respostas são imediatas. O reply para esta reportagem, por exemplo, surgiu uma hora depois. “Só não fui mais rápida porque estava em uma reunião no momento em que a mensagem chegou”, admite.

A estudante Fabiana Andrade, 21, também checa a correspondência virtual o tempo todo no trabalho, mas garante que o motivo não é profissional. “Verifico sempre porque gosto mesmo, e não por necessidade do estágio.” Mas se engana quem pensa que a mania veio com o uso. Já no primeiro ano de Internet, ela não hesitava em conectar de manhã, de tarde e de noite. Hoje, checa a cada 10 minutos, se inscreve em boletins de jornais, recebe cerca de 30 mensagens por dia e admite que a vontade só não é maior porque conversa online via ICQ com alguns amigos.

Com a assistente administrativa Fernanda Lins, 28, foi necessário delimitar regras próprias que freassem a compulsão. Conectada o tempo todo durante os dias úteis, ela simplesmente não usa mais a Internet nos fins de semana. “Mas a primeira coisa que faço na segunda-feira é checar a correspondência”, complementa. Ela diz não se sentir apreensiva nesses dois dias que a separam do PC, mas confessa ficar pensando nas futuras mensagens em feriados mais longos, como o Carnaval.(M.P.)

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Jornal do Commercio
Recife - 11.04.2001
Quarta-feira