De tanto ‘gastar’ os dedos digitando mensagens, os ‘mailmaníacos’ acabam se metendo em casos que variam do inusitado ao polêmico. A estudante Tatiana Moreira, por exemplo, se meteu em uma saia justa com os amigos de correspondência na Rede. Ela costuma enviar por e-mail vários textos, crônicas e opiniões pessoais para os integrantes da sua lista de endereços. Até que um dia, o retorno não saiu como ela esperava.
Após a abertura da Olimpíada de Sidney, no ano passado, ela comentou no mail algumas das sensações presentes na festa, como o patriotismo dos atletas brasileiros. Mas algumas respostas sugeriam que existem coisas mais importantes a se pensar do que o suposto amor ao País visto no evento. As divergências de opinião, pouco a pouco, se tornaram farpas, e a celeuma foi inevitável. “Achei que todos gostavam de Olimpíadas, como eu”, conta, ingênua. Moral da história: Tatiana criou uma lista de endereços à parte, com as pessoas que realmente gostam de esportes. “Essa lista, sim, rendeu boas conversas sobre o assunto”, acrescenta.
Mais feliz foi a estudante Fabiana Andrade, que relembra como conheceu o namorado. “Um dia entrei no IRC e vi uma mensagem com um trecho da letra de uma música de que eu gostava. Pedi o endereço de e-mail do menino pra pedir a letra inteira, e a partir daí, ficamos nos conhecendo por e-mail até nos encontrarmos ao vivo, três meses depois”, conta.
O mundo musical, por coincidência, gerou outra situação curiosa. “Uma vez fui ao site do cantor americano Michael Johnson para procurar uma letra dele. Não achei, por isso enviei um e-mail pedindo a letra e, pra meu espanto, o próprio cantor respondeu, perguntando ainda se eu tinha gostado da canção. Aí respondi que sim e agradeci pela ajuda.”
A administradora Fernanda Lins criou um tipo de ‘elo tecnológico’ com o irmão, que atualmente mora e estuda na Espanha. No horário de almoço, ela conversa com ele apenas por e-mail em uma comunicação quase instantânea, pois ambos ficam checando a caixa de correspondência a cada minuto. “A conexão da universidade onde ele estuda é muito boa, e no meu trabalho também. É como se falássemos via chat, com respostas curtas, de no máximo duas linhas por mensagem”, explica. Além do irmão, ela mantém contato com uma amiga da França e outra do Canadá. (M.P.)