Até que ponto o hábito se torna uma compulsão? O e-mail apareceu na vida das pessoas para viciá-las? De acordo com a psicóloga Ana Calazans, é possível dividir os usuários freqüentes de mensagens eletrônicas em dois grupos. O primeiro é fruto da facilidade que a tecnologia proporciona na velocidade de comunicação. O segundo, entretanto, é formado por gente que começa a evitar contatos físicos, trocando-os pelos virtuais.
“O medo e a insegurança impedem os internautas de terem relações reais. Como no computador as pessoas não se olham nos olhos, as coisas ficam mais fáceis, pois não há o perigo da rejeição.” Por outro lado, ela ressalta, é comum que certos usuários prefiram o contato pelo micro sem que isso se torne um distúrbio. “Pode ser só um traço da pessoa. O problema aparece quando ela se desliga completamente do mundo real. Aí começam as fantasias, descrevendo-se de uma forma diferente do que ela é”, analisa.
Quanto ao hábito de checar a correspondência a cada minuto, ela volta ao conceito da facilidade tecnológica. “Se no trabalho existe essa chance, não há por que não aproveitá-la, a não ser que isso afete o rendimento profissional.” Do lado negativo, a psicóloga aponta a necessidade maior do que a normal do indivíduo ser lembrado e procurado. “Alguns aposentados, por exemplo, ficam com medo do ócio e do esquecimento, então encontram refúgio nos e-mails.”
Seria o e-mail, afinal, um instrumento de vício? Segundo Calazans, a resposta é não. “Assim como o álcool e o cigarro, o e-mail por si só não provoca vício. Mas existem pessoas com pré-disposição para se viciarem”, completa.(M.P.)