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VÍRUS
Pingüim também sofre com pragas

Os dois vírus que surgiram para o sistema operacional de código aberto Linux deixam usuários em alerta. Será que é só o começo de um grande ataque?

por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br

Quem disse que o pingüim é imune a gripe? Após alguns anos de ‘saúde inabalável’, o Linux encara agora as primeiras pragas virtuais nativas do sistema. Só nas últimas semanas foram registradas duas: o Winux, que ataca tanto Linux quanto Windows, e o Lion, que contamina servidores. O surgimento desses ‘inimigos’ não chega a ser uma surpresa para a comunidade Linux. “Quanto maior a popularidade do sistema, maior a quantidade de vírus criados para ele”, afirma a gerente da Panda Softwares, Magali Cantisani. Mesmo assim, a novidade está causando polêmica. Há adeptos do pingüim anunciando o início de uma guerra e outros apostando na invencibilidade do sistema e garantindo que tudo não passa de tempestade em copo d’água.

O diretor comercial da empresa pernambucana LBS, Maruen Said, faz parte do segundo grupo. “O Linux existe há 10 anos e só agora foram criados os primeiros vírus para ele. Para o Windows, que é mais recente, existem mais de 60 mil”, afirma. “Isso acontece porque ninguém tem interesse em criar pragas para Linux. Afinal, trata-se de um sistema free”, observa, destacando que o pingüim é companheiro inseparável dos hackers.

Já Magali Cantisani acredita que as novas pragas são precursoras de muitas outras. “Foi iniciado um ciclo irreversível. Depois da criação desses primeiros vírus, muitos surgirão a partir de pequenas modificações dos códigos-fonte”, afirma. “Para os criadores de pragas virtuais, não interessa o tipo de sistema, mas o número de usuários atingidos. Quanto mais, melhor. Por isso o desfecho dessa história vai depender da popularidade do sistema”, diz o diretor de Operações para a América Latina da Trend Micro, Hernan Armbruster.

Discussões à parte, quem não dispensa a companhia do pingüim deve, mais do que nunca, se previnir, adotando medidas simples de segurança. Para os usuários corporativos que usam o sistema em servidores, a atualização constante dos softwares é a melhor forma de proteção.

Já para os domésticos, o segredo é não abrir arquivos com extensões EXE e nunca acessar a Web usando a conta de superusuário (ou root). “É melhor cadastrar outra conta para as atividades do dia-a-dia”, afirma o responsável pela atualização de segurança da Conectiva, Andrea Hasenack. “Assim, mesmo que um aplicativo infectado seja executado, os arquivos de sistema não são danificados.”

O Winux chega por e-mail e contamina os arquivos executáveis dos dois sistemas operacionais. “Na pior das hipóteses, o usuário de Linux tem que deletar sua antiga conta e criar outra, porque o sistema fica intacto.” Já os arquivos dos usuários não resistem ao resfriado. Segundo Andrea Hasenack, a situação é bem pior quando se trata de servidores infectados pelo Lion. A praga – que ele chama de verme, porque se dissemina sozinho, ou seja, sem a ação do usuário – pode até apagar todo o conteúdo do HD da máquina. A porta de entrada do Lion é uma vulnerabilidade no software Bind, usado por 80% dos servidores Web que rodam Linux.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.04.2001
Quarta-feira