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Dois Toques
Lula Carlos

O meu nome é...

E néas, o nome dele é Enéas, foi o que me falou ao telefone, chateado porque critiquei Milagres, pelos gols que levou, e poupei Zetti dos gols que tomou. Não poupei ninguém. Vi o Santa Cruz jogar e passei a não acreditar em milagres. Não dava pra falar de Zetti, que poucas vezes vi atuar.

Enéas está mais nervoso do que aquele louco que sonha com o Palácio da Alvorada, e de alvorada ele não escuta, sequer, o canto das aves. Dizer que perdeu a fé no Hexa do Sport, e que só falta morrer quando vê o goleiro Zetti sair da barra atrás da bola e a bola terminar sempre no gol, só pode ser brincadeira.

Quem sabe, Zetti está passando por uma fase ruim, e isso não quer dizer que a fase boa passou e não volta mais? Pode acontecer, também, de ele estar de saco cheio de tanto jogar, aqui e acolá, sem parar. No azar nesse saco, mesmo cheio, cabe mais gol. Goleiro nenhum escapa dos frangos e dos perus.

Já vi coisas incríveis acontecerem aos melhores goleiros. Vi Castilho tomar gol entre as pernas, e Valdemar balançar as próprias redes. Ainda bem que vi Manuelzinho, Manga e Leão brilhando no Sport, Detinho, Mauro e Aníbal fechando o gol tricolor, e Valdemar, Neneca e Lula Monstrinho conquistando títulos para o Náutico.

E Lucas está ficando famoso. Também, pudera, ele é neto do governador. Sexta-feira almoçou com o avô, vestido com as cores do Náutico, e Jarbinhas, o tio, não gostou. Conversou com o sobrinho, ensinou-lhe o cazá, cazá, e mudou tudo. Lucas chegou timbu e saiu leão, vestindo uma linda camisa rubro-negra.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2001
Segunda-feira