BRASÍLIA - O atentado a bomba no Riocentro entra no rol de crimes impunes no dia 30 de abril, quando completa 20 anos. Nenhum dos militares acusados foi processado. O 20º aniversário coincide com a prescrição do crime de homicídio doloso, no qual poderia ter sido enquadrado o coronel Wilson Machado, que estava no carro onde uma das bombas explodiu, se a Justiça Militar não tivesse arquivado o caso em 2000.
O atentado ocorreu em 30 de abril de 1981, no show de comemoração do Dia do Trabalho. Minutos após a explosão no Puma, outra bomba danificou a casa de força do Riocentro. Foi o clímax de uma série de atentados cuja origem poucos duvidavam: os porões do regime militar descontentes com a abertura.
Em 99, a Procuradoria da Justiça Militar mandou reabrir o processo. Um novo inquérito foi instaurado, e pela primeira vez os nomes de militares apareceram como suspeitos. No inquérito anterior, durante o regime militar, haviam sido listados como vítimas. Mas, em maio de 2000, o Superior Tribunal Militar arquivou o caso.
O coronel Walter Machado era o único militar que ainda poderia ser punido, embora as possibilidades jurídicas fossem remotas. Ele dirigia o Puma. A seu lado estava o sargento Guilherme do Rosário, que carregava a bomba e morreu. O coronel Freddie Perdigão, suposto autor intelectual do atentado, e o então ministro do Exército, Walter Pires, também morreram ao longo desse período.