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MERCADO
BNTM abre caminho para a criação de novos charters

Bolsa de Turismo do Nordeste reuniu operadores, empresários e autoridades em turismo do Brasil para discutir o mercado e, principalmente, apresentar o potencial da região para “compradores” estrangeiros

A realização da 10ª Brazil National Tourism Mart, a Bolsa de Turismo do Nordeste, semana passada, em Fortaleza, movimentou o mercado de turismo da região com a participação de operadores estrangeiros que, convidados, vieram conhecer o potencial nordestino. Dados finais registraram a participação de 188 buyers (compradores) e 176 suppliers (vendedores), vindos de países como a Holanda, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Suécia, além da América Latina.

Este ano, o evento ganhou novo formato, agora mais democratizado. A bolsa não teve áreas restritas apenas aos buyers e os estandes foram dispostos de maneira que permitiu a proximidade tanto dos órgãos institucionais quanto dos suppliers, que estavam “vendendo” seus produtos. Uma praça de alimentação estrategicamente instalada no centro da área destinada aos estandes dos Estados nordestinos fez com que conversas informais entre os participantes convergissem para novas possibilidades de negócios.

Outra novidade foi a criação de espaços de debate, por meio dos seminários sobre fretamentos e cruzeiros marítimos, ambos bastante concorridos. “As mudanças deixaram um saldo positivo. Nas pesquisas, o índice de satisfação foi alto”, revela Roberto Pereira, secretário executivo da Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI-NE), promotora do evento.

Os negócios, porém, não têm um resultado exato. “Como muitos empresários não revelam seus números, fica imponderável afirmar o volume negociado”, explica Pereira. Mas há quem não ficou satisfeito. Um expositor que preferiu não se identificar, revela que numa tarde inteira teve uma única entrevista com um operador.

De acordo com Sérgio Paraíso, gerente de vendas do Grupo Pontes, é hora da feira ser oxigenada. Caso contrário, corre o risco de acabar. Ele diz ter levado cerca de 100 envelopes para serem distribuídos com informações sobre os hotéis do grupo, distribui apenas 45, e não voltou com material porque visitou operadores cearenses e deixou com eles as peças de divulgação. “Acredito que os convites estão sendo feitos de maneira equivocada, a pessoas erradas e operadores que não têm peso no mercado”, opina. “A Bolsa perdeu a força. É preciso pensar em mudanças”, defende, apesar de ter travado algumas negociações com empresários argentinos e italianos.

Mas nem tudo está perdido. A aposta maior é a viabilização dos vôos charters para a região. Para isso, Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur, garantiu ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio de Pernambuco, Carlos Eduardo Pereira Cadoca, a liberação de US$ 300 mil, que devem ser investidos no incentivo aos vôos fretados a partir deste ano.

“A bolsa chega a seu décimo ano consolidada, catalizadora de negócios para a região, e fazendo sua cruzada pelo turismo em cidades de pequeno porte e sem infra-estrutura turística”, defende Cadoca.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.04.2001
Quinta-feira