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ZINE
Carol Almeida

Um retrato adulto da adolescência

As autobiografias quase sempre correm o risco de pecarem pela falta de isenção do autor em relação a sua própria história. Mas no caso do canadense Chester Brown, é bem difícil que isso tenha ocorrido. A Conrad Editora lança este mês um dos mais famosos trabalhos desse quadrinista da geração dos independentes da década de 80: A Playboy (184 páginas, R$ 21). O livro fala de um assunto que, para muita gente, ainda é motivo de faces ruborizadas. Brown volta ao ano de 1975, quando ele tinha 15 anos de idade e morava na periferia de Montreal, num bairro onde não havia sequer uma banca de revista.

A diversão do autor naquela época se resumia em pegar sua bicicleta e se dirigir até a loja de conveniência menos distante, onde eram vendidas algumas revistas Playboy. Naquele ano, Brown comprou a sua primeira edição e, depois disso, fez naturalmente o que todo garoto fazia quando pegava uma dessas publicações (não, ele não lia as entrevistas). A história começa a se armar com cenas típicas de uma adolescência constrangida pelos sinais da puberdade. Até que, um belo dia, Chester Brown cresce (isso está parecendo até Menino Maluquinho), torna-se um quadrinista conhecido internacionalmente e volta a comprar algumas Playboys sem traumas ‘aborrecentes’.

O enredo é simples, mas a seqüência dos fatos e a autoconsciência do autor em relação e este particular momento de sua vida deixam a história viva. Observação: A Playboy foi publicada pela primeira vez há nove anos e o título em português não sofreu alterações do título original, ou seja, na verdade o livro no Brasil se chamaria ‘Uma Playboy’. Atualmente, Chester Brown está produzindo uma outra biografia. Mas dessa não é a sua, e sim de um anarquista canadense, Louis Riel..

Ragú

Mais inspirada do que nunca, chega às bancas a nova edição da Ragú, humor, quadrinhos e non sense. A revista traz novos colaboradores, Lailson, Clériston e Miguel, e algumas novidades gráficas, como quatro páginas coloridas nas centrais da edição. A nº 3 custa R$ 3,50 e estará à venda também no Abril Pro Rock. A capa de Lin e contracapa de Mascaro dão um visual cada vez melhor à publicação. Mas se você quiser saber um pouco mais sobre o conteúdo da Ragú, vale uma lida amanhã neste mesmo Caderno C, onde haverá uma matéria sobre o assunto.

Tribunal

Confusão jurídica no universo mutante. A 20th Century Fox Film e a Marvel entraram com um processo na Suprema Corte Americana, somente que as duas empresas estão de lados opostos agora. De acordo com a Associated Press, a Fox sente que o novo programa da TV americana, Mutant X, está barateando o franchise do seqüência do filme X-Men e violando dessa forma o contrato do estúdio com a Marvel. A Marvel alega que o seriado da TV é completamente diferente do filme. Muita briga ainda deve rolar nessa história.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2001
Segunda-feira