No ano passado, Frederico Barbosa lançou seu terceiro volume de poesia, Contracorrente. Com ele, o autor conseguiu assumir uma posição de destaque na poesia brasileira. Por crédito mais que merecido do poeta e infortúnio da escassa produção de literatura contemporânea brasileira, Frederico Barbosa é hoje um escritor plenamente ciente de sua posição na hierarquia da literatura do Brasil, ou seja, no topo.
Contracorrente foi o passo definitivo para que o autor assumisse tal posto. O livro catucava a poesia brasileira com citações do tipo “E agora que impera o chato/ o gesto eco/ o versinho pré-parnaso/ o correto dito certo/ pé no gesso/ regrado/ pé no saco”. Poderia ter servido de impulso, mas ao que parece há muitos ainda vivendo na “anatomia da depressão” elaborada por Frederico.
O primeiro livro de poesias do autor, Rarefato, foi lançado em 1990 e foi escolhido pelos jornais O Estado de São Paulo e O Estado de Minas como um dos melhores livros do ano. Nada Feito Nada veio em 93 como parte da Coleção Signos, dirigida por Haroldo de Campos, e ganhou o prêmio maior da literatura nacional, o Jabuti. Hoje, ele tem sua obra traduzida e publicada em países como Estados Unidos, México, Austrália, Espanha e Colômbia.
Com Louco no Oco sem Beiras (termo que faz referência a um texto de Guimarães Rosa), Frederico Barbosa, pernambucano de raiz e paulista de vivência, acrescenta ainda mais a sua obra e deixa aos leitores uma perspectiva nova da depressão cotidiana. E, como diria o prefácio de Amador Ribeiro Neto, tudo isso é “com invenção”.
Serviço
Louco no Oco Sem Beiras – Frederico Barbosa, Ateliê Editorial, 88 páginas. Preço: R$ 25